A carne caprina tem oportunidades para ampliar sua presença no mercado brasileiro, especialmente em segmentos que procuram produtos diferenciados. Embora a criação de caprinos esteja concentrada no Nordeste, a atividade também pode conquistar consumidores de grandes centros urbanos, principalmente nas regiões Sul e Sudeste.
Um levantamento da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), baseado na Pesquisa da Pecuária Municipal (PPM 2025), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostra que o Brasil alcançou 13.524.707 caprinos em 2025. O resultado representa crescimento de 1,2% em relação ao ano anterior.
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Além do avanço do rebanho, a pesquisa identifica oportunidades comerciais ainda pouco exploradas. Entre elas está o fornecimento de carne caprina para restaurantes de grandes cidades, sobretudo durante períodos de festas e celebrações tradicionais.
Nordeste concentra a criação de caprinos
A distribuição dos animais pelo território nacional demonstra a importância do Nordeste para a atividade. A região concentra 96,6% do rebanho caprino brasileiro, com aproximadamente 13,07 milhões de animais.
A Bahia lidera a criação nacional, com 4,69 milhões de caprinos. Pernambuco aparece em segundo lugar, com 3,27 milhões, seguido pelo Piauí, que reúne aproximadamente 2,09 milhões de animais.
Juntos, os três estados concentram 74,4% do rebanho brasileiro. Esses números reforçam a importância da região para a produção e o abastecimento da cadeia caprina.
Mercado ainda tem espaço para crescer
Apesar da presença da carne caprina em diferentes tradições gastronômicas brasileiras, sua comercialização ainda enfrenta limitações em mercados que exigem fornecimento regular e padronização dos produtos.
A análise da Embrapa aponta que a oferta nacional enfrenta dificuldades para atender continuamente às demandas identificadas em quantidade e qualidade. Por isso, ampliar a produção e organizar os canais de comercialização são passos importantes para aproveitar as oportunidades.
Nesse cenário, restaurantes de grandes cidades do Sul e Sudeste representam um mercado potencial. Para conquistar esses compradores, porém, os produtores precisam garantir regularidade na oferta e atender às exigências dos estabelecimentos.
Além disso, a aproximação entre associações, cooperativas, frigoríficos e abatedouros pode facilitar as negociações e melhorar o escoamento da produção. Dessa maneira, os criadores conseguem ampliar o acesso aos mercados formais.
Manejo e genética são desafios para os produtores
A ampliação do mercado depende também de melhorias dentro das propriedades rurais. O planejamento alimentar, o manejo dos animais e o melhoramento genético estão entre os fatores que podem contribuir para uma produção mais eficiente.
Nesse sentido, a capacitação técnica e a especialização dos rebanhos ajudam os criadores a melhorar os resultados da atividade.
A Embrapa acompanha iniciativas de produtores da Paraíba e de Pernambuco voltadas à especialização da produção de leite e queijo de cabra. No Piauí, experiências de organização de criadores de ovinos também mostram como o cooperativismo pode aproximar a produção rural dos frigoríficos e abatedouros formais.
Embora envolvam cadeias produtivas diferentes, essas iniciativas demonstram a importância da organização coletiva para melhorar a comercialização e fortalecer a produção rural.
Carne caprina brasileira conquista novos mercados externos
Além das oportunidades no mercado interno, a carne caprina brasileira também ganhou novos destinos internacionais em 2026.
Em julho, Palau aprovou os modelos de Certificado Sanitário Internacional para a exportação de carne caprina brasileira. Em setembro, Antígua e Barbuda autorizou a entrada de carnes, produtos cárneos e miúdos de caprinos.
Mais recentemente, em outubro, o Sudão também autorizou a importação desses produtos brasileiros.
As novas autorizações ampliam as possibilidades comerciais para o setor e favorecem a busca por compradores internacionais. No entanto, a abertura sanitária não significa que as exportações já começaram ou que esses países tenham recebido volumes comerciais de produtos brasileiros.
Custos e clima exigem planejamento na criação
Apesar das perspectivas comerciais, os produtores precisam enfrentar desafios que podem comprometer a rentabilidade da atividade.
O Boletim nº 33 do Centro de Inteligência e Mercado de Caprinos e Ovinos da Embrapa aponta o encarecimento de insumos, como ração, medicamentos e combustíveis. A publicação também destaca problemas como perdas provocadas por predadores e roubos de animais.
O cenário climático exige atenção adicional. O boletim alerta para a possibilidade de um episódio de El Niño entre 2026 e 2027, que pode afetar a disponibilidade de água e alimentos em regiões produtoras.
Diante desse cenário, o planejamento antecipado ganha importância. A formação de reservas alimentares, o uso de forrageiras adaptadas à seca e a adoção de tecnologias de manejo podem ajudar os criadores a enfrentar períodos de estiagem.
Com um rebanho superior a 13,5 milhões de animais, oportunidades em restaurantes e novas autorizações para exportação, a carne caprina tem espaço para ampliar sua presença no mercado. Para transformar esse potencial em resultados, porém, a cadeia produtiva precisa avançar na organização da produção, na qualidade dos animais e na regularidade do fornecimento.
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