A raiva herbívora exige atenção constante nas propriedades rurais. De janeiro a setembro de 2026, 66 amostras de herbívoros testaram positivo para o vírus no Rio Grande do Sul, segundo dados do Centro Estadual de Diagnóstico e Pesquisa em Saúde Animal Desidério Finamor (IPVDF), vinculado à Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi).
Transmitida pela saliva de animais infectados, por meio de mordidas, arranhões ou lambidas, a doença é fatal para mamíferos, incluindo bovinos, equinos e seres humanos. Além disso, afeta principalmente o sistema nervoso e provoca manifestações neurológicas.
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A fiscal agropecuária da Seapi, Carla Rosane Rodenbusch, explica que a raiva é uma zoonose, ou seja, pode atingir tanto os animais quanto as pessoas. Segundo ela, a doença não tem cura e apresenta evolução fatal.
Morcegos hematófagos estão entre os principais transmissores
Os morcegos hematófagos, que se alimentam do sangue de outros vertebrados, são os principais transmissores da raiva herbívora. De acordo com a extensionista rural da Emater/RS-Ascar, Thais Michel, esses mamíferos também morrem quando contraem o vírus.
No entanto, o período de incubação permite que um morcego infectado transmita a doença por mais tempo. Por esse motivo, a presença desses animais em uma propriedade nem sempre coincide com o aparecimento dos primeiros sintomas no rebanho.
No Rio Grande do Sul, os registros costumam se concentrar entre maio e outubro. Isso ocorre porque, nos meses mais quentes, aumenta a atividade dos morcegos e o contato com os animais nas propriedades. Como a doença leva de dois a quatro meses para se manifestar, os casos podem aparecer somente depois desse intervalo.
Como identificar casos suspeitos
Mudanças no comportamento dos animais podem indicar a presença da doença. Entre os principais sinais estão:
- Dificuldade para caminhar;
- Apatia e comportamento diferente do habitual;
- Falta de apetite;
- Salivação excessiva.
Diante de qualquer suspeita, o produtor deve evitar o contato com o animal e procurar a Inspetoria de Defesa Agropecuária mais próxima. Também não deve manipular o animal doente.
Caso encontre um morcego ou identifique sinais suspeitos no rebanho, o responsável pela propriedade precisa comunicar a situação às autoridades sanitárias. A partir da notificação, o Programa de Controle da Raiva Herbívora é acionado para orientar os procedimentos necessários.
Diagnóstico laboratorial confirma a doença
Após a notificação, o órgão competente realiza a coleta de amostras e encaminha o material ao IPVDF, em Eldorado do Sul, para análise.
O laboratório utiliza inicialmente o exame de imunofluorescência. Quando o resultado é negativo, realiza um segundo teste para confirmar o diagnóstico.
Além de identificar a circulação do vírus, esse procedimento permite orientar as medidas de proteção para as pessoas que tiveram contato com o animal infectado.
Notificação é fundamental para proteger a saúde pública
A comunicação rápida de casos suspeitos ajuda as autoridades a monitorar a raiva dos herbívoros e adotar as providências necessárias para reduzir os riscos de transmissão.
A vacinação também tem papel fundamental na proteção das pessoas que tiveram contato com animais infectados. Segundo Carla Rosane Rodenbusch, a confirmação laboratorial permite identificar quem precisa receber a imunização para evitar o desenvolvimento da doença.
Por isso, a atenção aos sinais clínicos, a notificação e o acompanhamento das ocorrências são medidas essenciais para proteger os rebanhos e a saúde pública.
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