A disputa entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) pela Presidência chega ao segundo turno, neste domingo (25) marcada por uma diferença de pouco mais de 2,2 milhões de votos no primeiro turno, pesquisas que apontam empate técnico entre os candidatos e um volume recorde de processos na Justiça Eleitoral.
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Até essa última semana, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) havia recebido mais de 800 ações relacionadas à campanha, mais que o dobro das 325 registradas no mesmo período de 2022 e das 388 de 2018.
Neste segundo turno, a campanha foi marcada por ataques pessoais e acusações de corrupção, defesa de propostas e disputa pela repercussão nas redes sociais, que ganharam papel central na disputa presidencial, principalmente como ferramentas de mobilização de apoiadores e distribuição coordenada de conteúdo.
No segundo turno, os canais de WhatsApp Exército do Lula e Tropa do Flávio passaram a reunir milhões de seguidores e protagonizaram uma disputa acirrada que chegou ao TSE.
A campanha de Flávio Bolsonaro pediu ao TSE a suspensão do canal Exército do Lula, alegando disseminação de informações falsas. Em 11 de outubro, o ministro Kássio Nunes Marques, presidente do TSE, determinou a suspensão do Exército do Lula, mas a decisão foi derrubada pelo corregedor-geral eleitoral, Ricardo Villas Bôas Cueva.
Na sequência, Nunes Marques reverteu a decisão de Cueva e determinou o registro do canal como meio oficial de comunicação da campanha petista.
Diante do impasse e de questionamentos sobre tratamento desigual em relação ao canal Tropa do Flávio, o TSE estabeleceu que o apoio espontâneo a um candidato não torna automaticamente um canal de WhatsApp vinculado à campanha oficial. O Exército do Lula foi reativado e os dois canais seguiram.
A disputa em números
Flávio Bolsonaro terminou o primeiro turno com 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula obteve 45,16%, segundo o TSE, com uma uma diferença de 2.227.651 votos.
Como nenhum dos candidatos ultrapassou metade dos votos válidos, conforme prevê a legislação eleitoral, a votação não foi suficiente para eleger um presidente no primeiro turno. Ao todo, foram contabilizados 125.272.513 votos válidos, além de 2.300.781 votos brancos, equivalentes a 1,84%, e 3.674.149 votos nulos, ou 2,93%.
A abstenção foi alta no primeiro turno 21,08%, o equivalente a cerca de 33,5 milhões de eleitores que não compareceram às urnas.
Aptos a votar, o país tem 158.765.543 eleitores que hoje deverão voltar às urnas. Como a abstenção foi alta e a disputa acirrada, o desafio das campanhas hoje é reduzir o número de eleitores que não votaram em 4 de outubro.
Pesquisas na reta final
Os levantamentos divulgados nos dias anteriores à votação apontaram diferenças pequenas entre Lula e Flávio Bolsonaro, embora os percentuais variassem conforme o instituto, a metodologia e o período das entrevistas.
Na véspera, sábado (24), os candidatos estavam empatados dentro da margem de erro, de acordo com os levantamentos divulgados. Em um deles, o CNT/MDA, Flávio Bolsonaro estava com 50,7% dos votos válidos, contra 49,3% de Lula. A margem de erro, no caso, é de 2,2 pontos percentuais.
O resultado repete outros divulgados no decorrer da semana.
Na quinta-feira, na pesquisa Datafolha, os dois candidatos estavam com 50% dos votos válidos cada. Já na PoderData/Aya, que é realizada por telefone, Flávio aparece com 51%, contra 49% de Lula. Na pesquisa anterior, de 19 de outubro, o senador aparecia com 52%, e o presidente, com 48%
Batalha judicial
A marca do segundo turno das eleições 2026, junto com a disputa por votos nas redes sociais, foi a batalha judicial travada pelos advogados das duas campanhas.
O desafio da abertura da quebra dos sigilos dos dois candidatos foi o de maior repercussão e se deu na reta final. No debate do dia 18 de outubro, na Band, Lula lançou o desafio de abrir seu sigilo bancário, telefônico e fiscal e de seus familiares, se Flávio fizesse o mesmo.
Depois, o candidato do PT protocolou no TSE autorização para a quebra de sigilo. Já o candidato do PL impôs uma série de condições ao adversário, que aceitou. Depois disso, as campanhas fecharam acordo.
Depois disso, ambos entregaram novos documentos no TSE, na quinta-feira à noite.
Além desse episódio, o TSE recebeu mais de 800 ações relacionadas à eleição, com denúncias de irregularidades eleitorais, propaganda irregular, divulgação de informações falsas, impulsionamento de conteúdos negativos e uso de ferramentas digitais.
Entre os assuntos que chegaram ao tribunal estavam os limites para o uso de deepfakes, que são conteúdos manipulados ou gerados por inteligência artificial (IA), que podem reproduzir de maneira realista a imagem e a voz de uma pessoa, e a definição das circunstâncias em que canais de WhatsApp criados por apoiadores passam a ser considerados meios oficiais de comunicação de uma campanha.
O TSE ainda reuniu pelo menos 12 ações de investigação judicial eleitoral (AIJEs) já admitidas pelo corregedor-geral eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, que podem ser julgadas posteriormente. Esses processos apuram possíveis abusos de poder político, econômico ou de autoridade e podem resultar em cassação de mandato e inelegibilidade.
A judicialização começou ainda no primeiro semestre, antes do início oficial da propaganda eleitoral, com processos tratavam principalmente de propaganda antecipada. Com o avanço da disputa, passaram a envolver também acusações de divulgação de fake news e realização de showmícios.







