O debate presidencial da TV Globo, nesta sexta-feira (23), que reuniu Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), candidatos que disputam o segundo turno das eleições 2026, foi marcado por
Transmitido ao vivo após o Jornal Nacional, com mediação do jornalista César Tralli, o debate de duas horas foi o último encontro dos dois candidatos antes da definição da disputa, neste domingo (25), quando os brasileiros vão às urnas.
O embate foi dividido em quatro blocos de perguntas e respostas, além das considerações finais.
No primeiro, foram seis rodadas sobre temas relacionados às diferentes regiões do país e a um assunto prioritário nacional. No segundo e no terceiro blocos, os candidatos escolheram temas exibidos no telão para formular perguntas e, no quarto bloco, de tema livre, cada candidato teve oito minutos de fala, sem limite de intervenções. Nos três primeiros blocos, o candidato que estava com a palavra pode circular livremente pelo cenário, enquanto o outro permaneceu no púlpito até sua vez de falar.
Infraestrutura e exportação
Flávio Bolsonaro abriu o debate com o tema, falando de obras inacabadas do atual governo.
Lula disse, em resposta a Flávio, que nunca se investiu tanto em infraestrutura no país. Ele mencionou investimentos de R$ 1,7 trilhão do Programa de Aceleração do Crescimento para criação de hidrovias, ferrovias, estradas, portos e aeroportos. Mencionou as obras da TransNordestina e a obra nas Serra das Araras, em andamento, além do túnel de Santos e a transposição do Rio São Francisco.
Flavio disse que vai rasgar o país de ferrovias. principalmente em regiões produtoras agropecuárias e que vai concluir a TransNordestina e rasgar o país em ferrovias. Ele também disse que pretende investir em concessão de rodovias, com garantia de pedágio zero para motociclistas.
Salário mínimo, endividamento e tarifa zero aos fins de semana
Lula questiona Flávio sobre o salário mínimo. Na rodada sorteada para a região Sudeste, o presidente pergunta se o adversário sabe qual seria o valor do salário mínimo caso não houvesse os reajustes concedidos durante os governos do PT, incluindo as gestões de Lula e Dilma Rousseff.
Flávio rebate com o endividamento, questionando Lula sobre o endividamento das famílias brasileiras. O presidente então defendeu a política de valorização do salário mínimo adotada pelos governos petistas.
O candidato do PL afirmou que pretende garantir aumentos reais para o salário mínimo e que é favorável à gratuidade do transporte público para trabalhadores aos sábados e domingos.
E associou a alta carga tributária e a inflação à perda de poder de compra da população durante o atual governo.
Centro-Oeste: agronegócio, incentivos e combate à fome
Flávio questiona Lula sobre o agronegócio ao abordar a região Centro-Oeste, o senador afirma que o setor agropecuário enfrenta dificuldades no governo petista, apesar de a região ser uma das principais produtoras de alimentos do país. Ele questiona a falta de incentivos ao setor.
Lula critica o adversário, afirmando que Flávio “estuda para decorar” e rebate as críticas ao governo. Lula diz que o Brasil nunca exportou tanto e destaca o superávit comercial.
Flávio promete investimentos em tecnologia, mencionou a burocracia e as dificuldades para adquirir máquinas e equipamentos. Prometeu garantir segurança jurídica para estimular investimentos no agronegócio e cita governadores aliados na região.
O presidente afirmou que todos os segmentos da agricultura brasileira receberam mais recursos, tanto do governo federal quanto do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
Sobre a fome, Lula afirmou que o país havia saído do Mapa da Fome em 2014 e que, quando voltou à Presidência, encontrou 33 milhões de brasileiros em situação de fome.
Tesouraço, saneamento e políticas sociais
Lula perguntou a Flávio sobre a proposta de “tesouraço”, comparando-a aos cortes de gastos promovidos pelo presidente da Argentina, Javier Milei. O presidente destacou que a região Sul concentra um grande número de aposentados no país e questiona como os benefícios seriam afetados pela medida.
Flávio afirmou que vai reajustar o salário mínimo e as aposentadorias acima da inflação. Também negou que pretenda privatizar o Banco do Brasil ou a Caixa Econômica Federal. O candidato do PL diz que pretende reconstruir o Brasil, assim como Milei fez com a Argentina, que, segundo ele, estava “quebrada”.
Flávio citou o Rio Grande do Sul e afirma que pretende atuar em parceria com o governador Zucco para evitar novas enchentes.
Região Norte e saneamento básico
Flávio perguntou a Lula por que o governo petista não investiu mais em água e esgoto na região Norte e abordou o Marco Legal do Saneamento Básico.
Lula respondeu que o adversário não conhece a região e que a lembrança que deve ter daquela região é do ex-presidente Jair Bolsonaro debochando dos brasileiros que morreram na pandemia durante a crise de falta de oxigênio em Manaus, na pandemia de Covid-19.
O presidente também afirmou que Flávio desconhece o potencial da região Norte na geração de energia verde.
Região Nordeste e investimentos
Lula perguntou a Flávio sobre o Nordeste e destacou investimentos realizados durante seus governos, com obras de infraestrutura e recursos para universidades, saúde e educação. O presidente afirmou que levou desenvolvimento e dignidade à região e questionou o que foi feito pelo governo Bolsonaro.
Flávio respondeu que pretende governar para todo o país e defendeu ações da gestão anterior, citando a ampliação do Bolsa Família para R$ 600 e iniciativas para levar água ao Nordeste. Também prometeu investir em ferrovias para a região.
Políticas sociais e Bolsa Família
No segundo bloco, os candidatos escolhem temas exibidos no telão para fazer perguntas. Lula selecionou políticas sociais e questiona Flávio sobre seu voto contrário ao aumento da licença-maternidade.
Flávio afirmou que, na época, avaliava que a medida poderia dificultar a contratação de mulheres, mas diz que hoje votaria de forma diferente.
Lula também cobrou explicações sobre a expressão “Bolsa Farelo”, usada por Flávio para se referir ao Bolsa Família, e classificou a declaração como desrespeitosa com a população de baixa renda.
Flávio respondeu mencionando a expressão “nove dedos” e criticou Lula por, segundo ele, ter voltado a falar do Bolsa Família apenas 17 dias antes das eleições. O senador também citou o período em que o benefício teria ficado sem reajuste.
Dívida pública e SUS
Sobre a dívida pública, Flávio criticou o endividamento do governo Lula, que, segundo ele, deixou a dívida pública em R$ 11 trilhões, e questionou a taxa de juros de 14%. O senador também acusa o governo de gastar demais e aumentar impostos.
Lula respondeu questionando por que aliados de Flávio defendem a independência do Banco Central. O presidente também destacou medidas de seu governo para renegociar dívidas e estimular a economia.
Lula cita uma proposta enviada ao Senado para tratar das dívidas de devedores, além de medidas voltadas aos microempreendedores individuais (MEIs), como o perdão de débitos e a ampliação do limite de faturamento e de contratação de um para dois funcionários. O presidente afirmou que seu governo ampliou o acesso ao crédito e contribuiu para o aquecimento da economia.
Flávio disse que pretende reduzir a dívida pública e os juros para estimular a atividade econômica.
Lula escolheu o Sistema Único de Saúde (SUS) como tema e questionou Flávio sobre declarações relacionadas ao financiamento da saúde. O presidente perguntou como o adversário pretende melhorar o atendimento. Falou do sucateamento do sistema na gestão Bolsonaro e voltou a mencionar a pandemia de Covid-19.
Flávio criticou a atual política de saúde, citando filas de espera e falta de medicamentos, e afirmou que pretende ampliar os investimentos no setor.
Lula diz que não teve sua pergunta respondida e ressalta a importância do SUS durante a pandemia. O presidente atribui ao governo Bolsonaro responsabilidade pelas cerca de 700 mil mortes por Covid-19 no Brasil e criticou a postura do ex-presidente durante a crise sanitária.
Flávio voltou a defender investimentos no sistema público de saúde, citando apoio às Santas Casas. Também prometeu atualizar a tabela SUS, utilizada como referência para remunerar procedimentos realizados pelo sistema.
Endividamento e poder de compra
No terceiro bloco, Flávio voltou a abordar o endividamento dos brasileiros e pergunta a Lula se o presidente considera os alimentos baratos. O senador criticou a perda de poder de compra da população e afirmou que a taxa de juros pesa no orçamento das famílias.
Lula disse que o endividamento é um tema sério e cita as iniciativas do programa Desenrola, incluindo novas etapas voltadas à renegociação de dívidas. O presidente afirmou que trabalha para que os brasileiros voltem a consumir e tenham mais renda.
Flávio prometeu transformar a Caixa Econômica Federal no “banco da prosperidade”, com iniciativas de crédito voltadas também a moradores de favelas. Lula, por sua vez, mencionou o fim das bets como uma das medidas para combater o endividamento da população.
Educação e ensino integral
Quando o tema escolhido foi educação, Lula questionou Flávio sobre as propostas para ampliar o ensino em tempo integral. O senador acusou o governo petista de zerar o orçamento federal destinado às escolas de tempo integral e mencionou o Tigrinho, em referência às apostas on-line.
Lula rebateu afirmando que as apostas on-line foram criadas durante o governo Bolsonaro. O presidente também criticou a falta de investimentos na educação na gestão anterior e citou o programa Pé-de-Meia como uma das iniciativas de seu governo para incentivar a permanência dos jovens na escola.
Flávio prometeu criar um voucher-creche para garantir vagas, ampliar o ensino integral e técnico e estabelecer parcerias entre empresas e escolas.
Segurança pública e retomada de territórios
Flávio escolheu o tema da retomada de territórios para questionar Lula sobre segurança pública. O senador abordou as saídas temporárias de presos, conhecidas como “saidinhas”, e defende a classificação de organizações criminosas como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.
Na resposta, Lula mencionou a presença, na plateia, da mãe de Ana Clara, menina de cinco anos morta a tiros, e acusa Flávio de ter defendido, como advogado, um policial militar envolvido no caso. O senador afirmou que deseja ajudar a mãe a identificar o responsável pela morte e contestou a versão de que o disparo fatal tenha partido do policial.
O debate avançou para propostas de combate ao crime organizado. Flávio abordou a classificação de facções como narcoterroristas e defendeu a castração química para estupradores.
Lula acusou Flávio de ter condecorado um miliciano e empregado familiares de integrantes de milícias. O presidente ainda afirmou que o adversário pretende entregar os interesses brasileiros ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Ao defender a PEC da Segurança Pública, Lula disse que a proposta permitirá devolver territórios à população e combater a criminalidade.
Ilha de Richarlison, uísque e filme sobre Bolsonaro marcam tema livre
Lula e Flávio trocaram acusações sobre patrimônio, investigações e financiamento de filme.
Lula abriu o bloco questionando Flávio Bolsonaro sobre a denúncia envolvendo o jogador Richarlison e uma ilha em Angra dos Reis. O presidente mencionou a suspeita de que um advogado amigo do senador teria atuado para retirar o imóvel do jogador e pediu esclarecimentos sobre o caso.
Flávio afirmou que o processo já transitou em julgado, que a Justiça investigou a questão e que a ilha nunca pertenceu ao atleta. O senador disse que o advogado Willer Tomaz é apenas seu amigo e sugere que Richarlison possa ter sido enganado.
Lula voltou ao caso da ilha e, na sequência, questionou Flávio sobre a defesa da raspagem das identificações de projéteis de armas. O presidente também mencionou os R$ 134 milhões relacionados ao financiamento do filme Dark Horse, produção sobre a trajetória de Jair Bolsonaro.
Flávio, por sua vez, questionou Lula sobre um uísque de alto valor que o presidente teria recebido de presente do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. E afirmou que um relatório da Polícia Federal apontou que não houve uso de dinheiro público na produção do filme do seu pai.
Lula propõe que os dois compareçam à Justiça no sábado para abrir os sigilos bancários e telefônicos apresentados ao Tribunal Superior Eleitoral. Os candidatos continuaram trocando acusações sobre outros assuntos, incluindo as investigações envolvendo o filho do presidente e a casa de R$ 10 milhões atribuída a Flávio.
Considerações finais
Lula foi o primeiro a fazer as considerações finais. O presidente agradeceu aos brasileiros e pede desculpas pelo tom elevado adotado durante o debate. Ele afirma que o domingo será decisivo para o país e defende sua trajetória política, ressaltando que tem biografia e história.
Já Flávio Bolsonaro encerrou o debate pedindo votos. Afirmou que assumirá três compromissos, entre eles recuperar o poder de compra da população e lutar pela liberdade das pessoas. Sugeriu que todos rezassem um Pai-Nosso.










