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Pecuária cresce com manejo de pastagens e forrageira

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A pecuária brasileira tem espaço para crescer sem depender apenas do aumento do rebanho ou da abertura de novas áreas. O avanço pode vir de uma área que sustenta a maior parte da produção nacional: o manejo das pastagens e o uso de forrageiras mais modernas.

Dados apresentados pelo pesquisador Marcelo Ayres, da Embrapa Cerrados, mostram que novas cultivares podem proporcionar ganhos econômicos de até 20% por hectare ao ano em comparação com materiais mais antigos.

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O potencial ganha importância porque 80,14% dos animais abatidos no Brasil foram terminados a pasto, segundo dados da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) apresentados pelo pesquisador. O país possui 160,5 milhões de hectares de pastagens, dos quais 62,7 milhões estão no Cerrado.

Pasto antigo limita produtividade

Apesar da evolução genética do rebanho brasileiro, a modernização das pastagens não ocorreu no mesmo ritmo.

Segundo Ayres, 80% das cultivares de forrageiras utilizadas pela pecuária brasileira são tecnologias defasadas. Parte delas foi desenvolvida entre as décadas de 1970 e 1990.

O pesquisador aponta que a escolha da cultivar ainda costuma ser definida pelo preço da semente. No entanto, esse componente representa apenas 10% do custo total de implantação do pasto.

Na prática, economizar na genética da forrageira pode reduzir o resultado da área durante vários anos.

“Não é só capim: é tecnologia de ponta. São anos de pesquisa”, afirmou Ayres.

Novas forrageiras aumentam retorno

Foto: Embrapa – Breno Lobato

Os números apresentados pela Embrapa ajudam a dimensionar o impacto econômico da mudança.

A BRS Quênia, por exemplo, registra ganho econômico 17% superior ao da cultivar Mombaça, diferença estimada em R$ 3.243 por hectare ao ano.

Já a BRS Sarandi apresenta resultado 20% maior que o da BRS Planaltina, equivalente a outros R$ 1.275 por hectare ao ano.

A BRS Tamani supera a cultivar Massai em 9%, com diferença de R$ 1.593 por hectare ao ano. A BRS Paiaguás, por sua vez, registra ganho 7% superior ao da BRS Piatã, ou aproximadamente R$ 1.035 adicionais por hectare ao ano.

Na comparação entre a BRS Carinás e a Basilisk, o ganho chega a 13%, ou R$ 483 por hectare ao ano. A mesma diferença foi apresentada entre BRS Zuri e Mombaça.

O efeito se torna ainda mais relevante quando considerado o tempo de permanência da pastagem na propriedade. Segundo Ayres, um pasto pode permanecer produtivo durante cinco ou seis anos.

Mais arrobas na mesma área

A tecnologia também aparece diretamente na produtividade.

Lançada neste ano, a BRS Carinás apresenta teor de proteína entre 13% e 14% e pode proporcionar ganho de peso de 13 arrobas por hectare ao ano. A cultivar também oferece maior biomassa e quantidade de folhas por hectare em comparação com a tradicional Basilisk.

Outra alternativa, a BRS Sarandi, alcançou entre 10 e 15 arrobas por hectare ao ano em experimento da Embrapa Cerrados. A cultivar produziu entre 11 e 15 toneladas de pastagem por hectare ao ano e atingiu taxa de lotação de três unidades animais por hectare.

Nesse cenário, a escolha da forrageira deixa de ser apenas uma decisão sobre qual capim plantar. Ela passa a integrar a estratégia produtiva da propriedade.

Produtividade ainda tem espaço para avançar

O desafio brasileiro é significativo. A produtividade média nacional está em 67,7 kg de carcaça por hectare ao ano, enquanto 76% dos produtores, equivalentes a cerca de 1,12 milhão de propriedades, permanecem abaixo dessa média.

Ao mesmo tempo, a evolução da pecuária mostra o potencial das novas tecnologias.

No sistema tradicional citado por Ayres, os produtores abatiam os animais entre 36 e 42 meses, com peso de carcaça entre 210 e 220 quilos. Na pecuária moderna, o abate ocorre entre 18 e 24 meses, enquanto o peso da carcaça alcança 290 a 310 quilos.

Isso significa até 80 quilos adicionais de carcaça, com o animal podendo chegar ao abate 18 meses mais cedo. O rendimento também passou de uma faixa de 50% a 52% para 54% a 56%.

Para a Embrapa, portanto, os produtores precisam acompanhar a evolução genética dos animais com a modernização da base alimentar.

“Se o boi mudou, temos que mudar o pasto também”, resumiu Ayres. Segundo o pesquisador, a meta é fazer a pastagem produzir mais, sustentar maior número de animais e gerar mais arrobas por hectare.

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