As bets recebiam, em média, R$ 650 milhões por dia antes da proibição das apostas no Brasil e chegaram a concentrar 99,9 milhões de contas de apostadores. Os números foram divulgados pelo portal ICL, nesta terça-feira (6), o primeiro dia sem operação das plataformas de bets que tinham autorização para funcionar no Brasil. A suspensão das atividades de apostas e a retirada dos sites e aplicativos do ar seguem o cronograma da Medida Provisória nº 1.394/2026, que proibiu a exploração, a oferta, a intermediação e a publicidade de apostas no país, assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no último dia 25 de setembro.
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Os 188 sites de bets que tinham autorização para operar legalmente no Brasil já foram retirados no ar, segundo o Governo Federal.
Já o prazo para a retirada voluntária de saldo das contas terminou às 23h59 desta segunda-feira (5). No entanto, segundo o boletim da Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), do Ministério da Fazenda, R$ 1,325 bilhão ainda aguarda devolução, e cerca de 26,5 milhões de apostadores têm saldo nas plataformas.
Na avaliação do Governo Federal, um dos aspectos que podem estar relacionados ao ritmo de retirada é a quantidade de contas com valores pequenos. Ao todo, 86,2 milhões de contas têm entre R$ 0,01 e R$ 0,99, somando R$ 15,5 milhões. Uma mesma pessoa pode ter contas em diferentes plataformas, por isso o número de contas é maior que o de apostadores.
A partir de agora, as empresas terão até esta quarta-feira (7) para encaminhar às instituições financeiras os saldos remanescentes de cada apostador, discriminados por CPF, além da conta bancária utilizada para os depósitos. Entre sexta-feira (9) e a próxima quarta-feira (14), as instituições financeiras deverão realizar a devolução dos valores aos apostadores.
R$ 6,5 bilhões em 10 dias
O tamanho do mercado das bets no Brasil, detectado pelos relatórios do Ministério da Fazenda, possibilita entender o impacto da medida. Antes da proibição, as bets recebiam aproximadamente R$ 650 milhões por dia, o que significa que R$ 6,5 bilhões deixaram de ser destinados às apostas. Isso equivale, segundo o Governo Federal, a 8 milhões de cestas básicas.
Entre as quase 100 milhões de contas identificadas, havia desde saldos mínimos até valores milionários. Quinze contas tinham mais de R$ 1 milhão, enquanto 32 estavam na faixa entre R$ 500 mil e R$ 1 milhão e 399 tinham entre R$ 100 mil e R$ 500 mil.
A maior concentração, porém, estava nas contas com valores baixos. São 86,2 milhões de contas tinham entre R$ 0,01 e R$ 0,99, somando R$ 15,5 milhões.
As contas com saldos elevados, de acordo com a SPA, serão investigadas pela Polícia Federal (PF), para que seja apurada eventual lavagem de dinheiro e possíveis vínculos com organizações criminosas. Segundo a SPA, a análise da origem e da movimentação dos recursos integra o trabalho de combate ao financiamento do crime organizado.
Fiscalização
Paralelamente ao encerramento das bets autorizadas, o governo ampliou o combate às plataformas ilegais. Entre 25 de setembro e 6 de outubro, ainda segundo relatório da SPA, 13.241 sites ilegais foram encaminhados para bloqueio pelo Ciberlab/Senasp, do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP). O total equivale a uma média de cerca de 1.103 sites encaminhados para bloqueio por dia no período.
Também foi solicitada às plataformas a remoção de 3.552 páginas, perfis, canais, grupos e servidores: 1.974 páginas no Facebook, 560 perfis no Instagram, 900 canais e grupos no Telegram, 103 perfis no TikTok, 14 grupos no WhatsApp e um servidor no Discord.
Só no Telegram, TikTok, WhatsApp e Discord, os perfis, canais, grupos e servidores identificados alcançavam cerca de 17,2 milhões de usuários, membros e seguidores. Esse total pode incluir uma mesma pessoa em mais de um espaço.










