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Lula diz ter 30 milhões de pessoas para convencer a votar

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Lula durante reunião com a coordenação de campanha nesta segunda-feira (05)Reprodução/Youtube

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) colocou os eleitores que não compareceram às urnas entre as prioridades da campanha para o segundo turno. Em reunião com a coordenação nesta segunda-feira (05), no dia seguinte ao primeiro turno das Eleições 2026, ele disse que será preciso entender por que milhões de brasileiros deixaram de votar e recuperar parte desse eleitorado nas próximas semanas.

 O presidente cobrou autocrítica da própria campanha e disse que a responsabilidade agora é recuperar o interesse de quem ficou fora da votação.

O número citado por Lula foi arredondado. No primeiro turno, 33,4 milhões de eleitores não foram às urnas, o equivalente a cerca de 21% do eleitorado apto. Foi o maior contingente de ausentes em uma eleição presidencial desde 1998.

Lula disputará o segundo turno contra Flávio Bolsonaro (PL). O senador terminou a primeira etapa da eleição com 47,03% dos votos válidos, enquanto o presidente recebeu 45,16%.

A diferença colocou a campanha petista diante de uma corrida por eleitores que não escolheram nenhum dos dois candidatos – seja por abstenção, voto branco, nulo ou opção por outras candidaturas.

Lula cobra campanha mais rápida nos próximos 20 dias

Ao falar sobre a reta final da eleição, Lula reconheceu que há menos eleitores neutros do que em disputas anteriores e afirmou que a campanha precisa corrigir erros cometidos até aqui.

“Nós temos que procurar o que nós não fizemos corretamente, que a gente agora tem que fazer.”, disse. 

Em seguida, resumiu o desafio: “Em 20 dias tem que fazer mais rápido e mais bem feito”.

Lula também afirmou que pretende ampliar sua presença em rádios, redes sociais, caminhadas e atos de rua. Disse ainda que considera mais importante participar dos debates de televisão no segundo turno, agora com apenas dois candidatos na disputa.

“Agora é importante ter debate na televisão porque agora é tête-à-tête. Agora é um contra um”, afirmou.

A estratégia exposta por Lula combina mobilização de eleitores ausentes, maior presença pessoal na campanha e comparação direta com Flávio Bolsonaro.

Lula diz que não houve espaço para uma terceira via

Durante a reunião, Lula também rejeitou a leitura de que uma candidatura de centro poderia ter quebrado a polarização da disputa.

Segundo Lula, eleições polarizadas não são exclusividade do Brasil e também ocorrem em outros países. A declaração foi usada para sustentar a avaliação de que parte da abstenção não decorreu necessariamente da falta de uma terceira opção competitiva.

O presidente disse que a campanha terá de descobrir o que afastou esses eleitores das urnas.

“Possivelmente tem uma causa: desinteresse. E a responsabilidade é nossa, é devolver o interesse para ele de participar do processo eleitoral”, afirmou.

Segurança pública entra na estratégia de Lula

Outro tema tratado por Lula foi a segurança pública. O presidente defendeu a aprovação da PEC da Segurança ainda antes da posse do novo Senado e afirmou que os estados não conseguem combater sozinhos o avanço do crime organizado.

Segundo ele, organizações criminosas cresceram, ficaram mais sofisticadas e passaram a atuar em diferentes setores da sociedade.

Lula também voltou a defender maior participação da União na segurança pública e disse que o enfrentamento ao crime exigirá mais recursos para inteligência, formação profissional e uma estrutura nacional própria.

Ao mesmo tempo, associou o combate à criminalidade à presença do Estado nas comunidades, com políticas de saúde, educação e assistência.

As declarações mostram que a segurança pública deverá ganhar espaço na campanha do segundo turno, depois de Lula admitir que o assunto está entre os mais difíceis da disputa.

Presidente aumenta tom contra o STF

Lula também fez uma das declarações mais duras de seu discurso ao tratar do Supremo Tribunal Federal (STF).

O presidente defendeu uma nova reforma do Judiciário e afirmou que o país precisa discutir como são escolhidos os ministros do STF. Citou como pontos de debate a influência do presidente da República, do Congresso e do poder econômico nas indicações.

Lula também sugeriu que a sociedade discuta a possibilidade de mandato para ministros do Supremo.

“Ninguém está acima da lei e nem os ministros da Suprema Corte estão acima da lei”, afirmou.

A fala ocorre em meio ao desgaste provocado por denúncias e questionamentos envolvendo integrantes do Judiciário e o caso Banco Master. Lula não apresentou, durante a reunião, uma proposta fechada de mudança no modelo de indicação.

Lula diz estar convencido de que pode vencer

Apesar de ter terminado o primeiro turno atrás de Flávio Bolsonaro, Lula disse aos aliados que não vê razão econômica, social ou política que impeça sua vitória.

“Estou convencido que não há nenhuma razão para que a gente não seja eleito presidente da República”, afirmou.

Ele também relembrou eleições anteriores em que avançou no segundo turno e disse que a campanha não deve reagir ao resultado culpando o eleitor.

O recado aos aliados foi de aceleração.

“São 20 dias”, repetiu Lula ao cobrar mais trabalho de rua, mais exposição e uma campanha mais direta contra o adversário.

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