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Carne de MT busca mercado no Peru e mira rota para a Ásia

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A carne bovina de Mato Grosso busca ampliar espaço no mercado peruano enquanto o Estado acompanha os estudos de uma possível ligação logística com o porto de Chancay, no Pacífico. Os dois movimentos ganharam destaque durante a participação mato-grossense na Expoalimentaria 2026, realizada de 23 a 25 de setembro, em Lima.

Durante a feira, compradores conheceram cortes como ancho, fraldinha, maminha e contrafilé em degustações preparadas pelo chef Carlos Miranda. A iniciativa apresentou a proteína produzida no Estado e abriu espaço para novas negociações com o mercado peruano.

A Expoalimentaria reuniu empresas, compradores e profissionais da indústria de alimentos. Na edição de 2025, o evento registrou mais de 31 mil visitantes e expectativa de US$ 905 milhões em negócios.

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Mercado peruano entra no radar dos frigoríficos

O mercado peruano apresenta uma característica que interessa aos frigoríficos brasileiros: o consumo de carne bovina ainda é relativamente baixo.

Segundo levantamento do Ministério da Agricultura e Pecuária, o consumo anual no Peru fica próximo de 6 quilos por habitante. Em Lima, porém, chega a 8,31 quilos. O estudo também aponta que cerca de 2% da carne bovina consumida no país é importada.

Esse cenário pode abrir espaço para produtos destinados a restaurantes, hotéis e consumidores interessados em cortes diferenciados. Para frigoríficos de pequeno e médio porte, portanto, o Peru pode representar uma oportunidade de diversificar clientes e construir relações comerciais voltadas a nichos específicos.

Além disso, o Brasil já ocupa espaço relevante nas importações peruanas. De acordo com o levantamento do Ministério da Agricultura, o país respondeu por 40% do valor das importações de carne bovina sem osso consideradas no estudo.

Chancay amplia possibilidades logísticas

O segundo movimento envolve o Porto de Chancay, no litoral peruano. A estrutura entrou em operação no fim de 2024 e passou a integrar os planos de conexão comercial entre a América do Sul e a Ásia.

Para Mato Grosso, entretanto, essa possibilidade ainda depende de novos projetos de infraestrutura. Em 2025, Brasil e China assinaram um memorando para realizar estudos sobre uma ferrovia que poderá conectar Lucas do Rio Verde, em Mato Grosso, ao porto peruano.

Por enquanto, o projeto permanece na fase de estudos. Assim, Chancay representa uma possibilidade futura de conexão com os mercados asiáticos, e não uma nova rota de exportação já disponível para a carne mato-grossense.

A eventual utilização desse corredor dependerá, portanto, da evolução dos estudos e da implantação da infraestrutura necessária. Enquanto isso, a aproximação comercial com o Peru já ocorre por meio de ações como a participação na Expoalimentaria.

Nesse contexto, a localização do país no Pacífico aumenta o interesse do setor. Para os frigoríficos, a combinação entre novos compradores e futuras alternativas logísticas pode ampliar as possibilidades de acesso aos mercados internacionais.

“Participar da Expoalimentaria nos permite trabalhar em duas frentes. O Peru é um mercado que pode oferecer oportunidades para frigoríficos que buscam atender nichos específicos, especialmente restaurantes e consumidores que valorizam cortes diferenciados. Ao mesmo tempo, precisamos acompanhar essa transformação logística que está ocorrendo no país, com uma estrutura portuária voltada para aproximar a América do Sul dos mercados asiáticos”, afirma o diretor de Projetos do Instituto Mato-grossense da Carne (Imac), Bruno de Jesus Andrade.

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