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Vendedores dos EUA quase triplicam presença no Mercado Livre

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Levantamento monitorou 12 mil produtos do Mercado Livre entre janeiro de 2025 e agosto de 2026Foto: Reprodução/ Divulgação

Os vendedores dos Estados Unidos ganharam espaço nas vendas internacionais do Mercado Livre no Brasil. A participação dos chamados sellers americanos no comércio entre países da plataforma passou de 8,7% em abril de 2025 para 25,9% em agosto de 2026. O crescimento foi de quase três vezes em 16 meses, segundo levantamento da JoomPulse, plataforma de análise de dados baseada em inteligência artificial.

O avanço ocorre em meio à expansão dos produtos internacionais no marketplace. Em agosto, eles representavam 45,9% dos produtos disponíveis no catálogo ativo. Entre os novos anúncios, a participação internacional chegou a 77,5%. Em janeiro de 2025, esse índice era de 32,4%.

O levantamento monitorou 12 mil produtos do Mercado Livre entre janeiro de 2025 e agosto de 2026. Foram analisadas categorias como brinquedos, joias e vestuário.

Vendedores americanos têm pedidos de maior valor

Além de ampliar a participação nas vendas internacionais, os sellers dos Estados Unidos apresentam um valor médio de pedido superior ao dos vendedores chineses.

O tíquete médio dos produtos vendidos por empresas americanas foi de R$ 352, contra R$ 73 dos vendedores da China. A diferença é de 4,8 vezes.

Mesmo com o avanço dos Estados Unidos, China e Hong Kong continuam concentrando a maior parte das vendas internacionais. Juntos, os dois mercados representam 71,9% do chamado GMV cross-border, indicador que soma o valor das vendas realizadas entre países.

O perfil dos vendedores americanos também ajuda a explicar a faixa de tributação em que suas vendas estão concentradas. Com pedido médio de R$ 352, equivalente a cerca de US$ 69, os produtos ficam, em média, acima do limite de US$ 50 estabelecido para a faixa de menor tributação.

Produtos internacionais ganham espaço entre novos anúncios

O crescimento não aparece apenas no valor das vendas. A quantidade de anúncios internacionais que registraram vendas aumentou 83 vezes durante o período analisado pela JoomPulse. O número de pedidos desses produtos, por sua vez, cresceu seis vezes.

Entre os novos anúncios, a presença de produtos internacionais saltou de 32,4% em janeiro de 2025 para 77,5% em agosto de 2026. Na prática, quase quatro em cada cinco novos produtos adicionados ao marketplace eram internacionais no fim do período analisado.

O movimento começou antes da mudança na tributação das compras internacionais. Segundo a JoomPulse, a alteração nas regras não provocou uma mudança generalizada nos preços.

Na faixa de produtos entre US$ 30 e US$ 50, por exemplo, o valor médio dos pedidos permaneceu em R$ 193 ao longo dos 17 meses observados. A distribuição dos pedidos entre as diferentes faixas de preço também se manteve estável.

Importados não avançaram em todas as categorias

Apesar do crescimento geral do comércio internacional, os produtos estrangeiros não aumentaram sua participação nas quatro categorias analisadas pela JoomPulse após a redução do imposto.

Em Brinquedos e Hobbies, a participação dos produtos internacionais no valor das vendas caiu de 2,50% em maio para 2,18% em agosto. Em Joias e Relógios, passou de 2,10% para 1,05%.

O recuo também ocorreu em Beleza e Cuidados Pessoais, de 1,46% para 0,95%, e em Calçados, Vestuário e Bolsas, de 0,47% para 0,38%.

Os dados, portanto, não apontam um avanço uniforme dos produtos internacionais depois da mudança tributária. A própria JoomPulse afirma que o crescimento do comércio cross-border no Brasil já havia começado antes da reforma.

Frete diferencia produtos nacionais e importados

Outro ponto observado pelo levantamento é a oferta de frete grátis.

Na faixa de até US$ 10, responsável por 48,37% dos pedidos internacionais, apenas 0,1% dos anúncios internacionais oferecia frete grátis. Entre os produtos brasileiros, o índice chegava a 73%.

A diferença diminui conforme o valor dos produtos aumenta. Entre US$ 30 e US$ 50, por exemplo, 89,4% dos anúncios internacionais tinham frete grátis, contra 89,6% dos nacionais.

A JoomPulse ressalta, porém, que o levantamento identifica diferenças nas condições de frete, mas não mede o impacto delas sobre as vendas.

Para Ivan Kolankov, CEO da JoomPulse, a análise dos dados ajuda os vendedores a entender quais faixas de preço e categorias apresentam maior movimentação.

“Os sellers precisam entender em qual faixa de preço e categoria entrar, a que preço e sob quais condições de frete”, afirma.

Mudança na tributação

A análise considera um período que inclui a mudança nas regras para compras internacionais. Desde 12 de maio de 2026, as compras de até US$ 50 feitas por pessoas físicas em empresas certificadas no Remessa Conforme têm alíquota de Imposto de Importação zerada, embora continuem sujeitas ao ICMS.

A mudança foi posteriormente incorporada à legislação. Em setembro, a Lei 15.502/2026 foi sancionada e manteve a alíquota de 0% para essa faixa. Para compras entre US$ 50 e US$ 3 mil, a tributação federal passou para 30%.

Segundo os dados da JoomPulse, as compras de até US$ 50 representam 94,25% dos pedidos internacionais e 68,78% do valor movimentado. Já a faixa entre US$ 50 e US$ 3 mil corresponde a 5,75% dos pedidos, mas concentra 31,22% do valor das vendas internacionais.

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