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Foodservice enfrenta desafio de tráfego com ticket médio em alta

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Latam Retail Show 2026 reuniu cerca de 3 mil visitantes no Distrito AnhembiDivulgação

O mercado brasileiro de foodservice atingiu R$ 62,9 bilhões em gastos do consumidor em refeições fora do lar, no segundo trimestre de 2026, 1% acima do registrado no mesmo período de 2025. O resultado faz parte dos dados mais recentes do CREST, estudo da Gouvêa Inteligência apresentado durante o 2º Foodservice Meeting, evento integrado ao Latam Retail Show 2026, que analisou a evolução do consumo de refeições preparadas fora do lar e os principais movimentos do setor no país.

Entre os destaques do levantamento está o comportamento do tráfego, indicador que representa a quantidade de transações realizadas por pessoa em cada ocasião de consumo. No segundo trimestre de 2026, o tráfego registrou 2,8 bilhões de visitas, tendo queda de 4% em relação ao segundo trimestre de 2025, que já tinha caído 5% na comparação com o mesmo período de 2024. Este é o nível mais baixo para um segundo trimestre desde 2022.

O movimento ajuda a explicar um dos principais desafios atuais do foodservice: o gasto pode continuar avançando com a alta do ticket médio, mesmo quando o número de transações recua. No entanto, a redução do tráfego limita o potencial de consumo do setor.

Embora inferior ao primeiro trimestre de 2026, a penetração do setor está 8% superior ao verificado no segundo trimestre de 2025. Na comparação anual, há mais pessoas comprando refeições prontas nos estabelecimentos. O dado de penetração mostra a cada 100 pessoas quantas efetivamente consumiram todos os dias uma refeição fora do lar. 

A frequência de consumo também apresentou redução nos últimos dois anos. Os heavy users, grupo que tem cinco ou mais ocasiões de consumo por mês, chegaram ao menor nível desde 2024. Apesar do aumento da penetração, a frequência mensal caiu, indicando que, embora mais pessoas estejam comprando refeições no foodservice, elas estão consumindo menos.

O aumento do ticket médio aparece como outro ponto de destaque. O indicador atingiu patamar histórico mais elevado, de R$ 22,10, no segundo trimestre de 2026. O resultado, apesar de alinhado à inflação da alimentação fora do lar, mostra a elevação e a pressão dos preços sobre o bolso do consumidor.

O estudo também identificou diferenças na penetração do foodservice entre mercados. No Brasil, 23% das pessoas a cada 100 consumiram diariamente uma refeição preparada fora de casa. Nos Estados Unidos, o índice foi de 41%, enquanto na China chegou a 85%. A comparação evidencia o potencial que o foodservice brasileiro ainda pode atingir, sobretudo quando comparado a mercados mais maduros e desenvolvidos.

O CREST também analisou o desempenho dos diferentes canais de foodservice. Poucos estabelecimentos apresentaram crescimento simultâneo de gasto e tráfego no período. Entre os canais que registraram esse movimento estão os restaurantes de Low Check Full Service, as redes de empratados, os ambulantes e os estabelecimentos de quilo/buffet, formatos diretamente relacionados às necessidades cotidianas de alimentação do consumidor.

O delivery, por exemplo, atingiu seu segundo maior patamar histórico nível histórico de gasto no segundo trimestre de 2026, mantendo uma trajetória consistente de crescimento entre o segundo semestre de 2025 e de 2026.

A análise regional também mostra comportamentos distintos. Apenas a região Sudeste apresentou crescimento de tráfego no segundo trimestre de 2026, com variação para cima de 9% em relação ao mesmo período de 2025, subindo de 1,291 milhões de transações para 1,401 milhões. Na outra ponta, o Nordeste registrou queda de 12%, passando de 789 milhões de transações para 696 milhões. Já o Sul teve queda de 13%, indo de 421 milhões de transações para 366 milhões. O Centro-Oeste caiu 17% de 247 milhões para 204 milhões. E a região Norte caiu 16%, de 211 milhões para 178 milhões.

Na comparação, a região Sudeste registrou o segundo maior nível de tráfego dos últimos dois anos, enquanto o Nordeste desacelerou e  registrou 696 milhões de transações no segundo trimestre de 2026, abaixo das 789 milhões registradas no mesmo período de 2025.

Os resultados apresentados pelo CREST ajudam a dimensionar o momento do foodservice brasileiro a partir de diferentes indicadores – gasto, tráfego, frequência, ticket médio, canais e comportamento regional – e mostram que o desempenho do setor não depende apenas do valor desembolsado pelos consumidores, mas também da capacidade de ampliar a recorrência e o número de ocasiões de consumo.

Sobre a Gouvêa Experience

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