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Tenente é preso em esquema de segurança ligado à Transwolff

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Polícia MilitarDivulgação/Governo de São Paulo

O tenente-coronel da Polícia Militar de São Paulo José Henrique Martins Flores foi preso neste domingo (30) por suspeita de integrar um esquema de segurança particular para diretores da Transwolff, empresa de ônibus investigada por suspeita de lavagem de dinheiro ligada ao Primeiro Comando da Capital (PCC). Ele era o único dos quatro policiais militares denunciados pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) que ainda estava solto.

Flores se apresentou espontaneamente depois que a Justiça Militar expediu o mandado de prisão. O oficial foi levado ao Presídio Militar Romão Gomes.

Segundo a denúncia do MPSP, os policiais usavam treinamento, armamento e a própria estrutura da Polícia Militar para fazer a segurança dos dirigentes da Transwolff. Entre os agentes recrutados estavam policiais que haviam trabalhado na Rota.

O grupo teria atuado desde 2020. A investigação aponta que os serviços continuaram mesmo depois de surgirem alertas sobre possíveis vínculos entre dirigentes da empresa e pessoas relacionadas ao PCC.

Qual era o papel do tenente-coronel

Flores é apontado pelo Ministério Público como responsável pela estrutura administrativa e financeira usada para dar aparência legal aos pagamentos.

Segundo a acusação, empresas de segurança registradas em nome de familiares eram utilizadas para formalizar os serviços. A mãe e o padrasto do oficial aparecem como responsáveis por companhias do grupo AM3.

A investigação também aponta que Flores administrava as empresas, apesar de policiais militares da ativa não poderem exercer atividade comercial ou administrar sociedades.

Um funcionário contratado para trabalhar em uma das companhias afirmou aos investigadores que prestava contas diretamente ao tenente-coronel e seguia suas orientações. Imagens de câmeras de segurança citadas na investigação também teriam registrado Flores dentro da sede da empresa em janeiro de 2026.

O Ministério Público afirma ainda que o oficial autorizava a emissão de notas fiscais usadas para dar aparência lícita aos pagamentos feitos pelos serviços de segurança.

Como funcionava a proteção

O capitão Alexandre Paulino Vieira é apontado como coordenador operacional do grupo. Caberia a ele recrutar policiais, montar escalas, negociar os serviços e manter contato com os dirigentes das empresas.

Os sargentos Alexandre Aleixo Romano Cezário e Nereu Aparecido Alves são acusados de atuar diretamente na segurança e escolta dos empresários. Nereu também é investigado por participação no transporte de valores.

Os quatro policiais foram denunciados por organização criminosa. Flores e Paulino também respondem por exercício de comércio por oficial, segundo a acusação. Nereu é acusado ainda de lavagem de dinheiro.

Pagamentos aumentaram após operação

Um dos pontos analisados pelo Ministério Público é o valor pago pelos serviços de segurança.

O contrato previa inicialmente R$ 30.905 mensais. Segundo a denúncia, o pagamento subiu para R$ 42.513,43 em abril de 2024, um dia depois da deflagração da Operação Fim da Linha.

Em janeiro de 2025, o valor chegou a R$ 44.639,10.

A Operação Fim da Linha investigou empresas de transporte coletivo de São Paulo sob suspeita de serem utilizadas para lavagem de dinheiro ligada ao PCC. A Transwolff foi uma das empresas atingidas pela investigação.

R$ 1,18 milhão encontrado em dinheiro

A investigação também levou os agentes até um imóvel ligado ao sargento reformado Nereu Aparecido Alves. No local, foram apreendidos R$ 1,18 milhão em dinheiro vivo.

A defesa de Nereu afirma que ele não integra organização criminosa e sustenta que o dinheiro pertencia a um empresário para quem o policial prestava serviços. Os advogados também questionam a conclusão sobre a origem dos recursos.

Denúncia ainda será analisada

A prisão de Flores ocorre depois de o MPSP apresentar a denúncia à Justiça Militar. A acusação não representa condenação, e os envolvidos ainda terão direito à defesa durante o processo.

A Transwolff nega envolvimento com atividades criminosas. As defesas dos policiais também contestam as acusações.

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