Quando uma celebridade aparece usando um novo look, muita gente imagina que o sucesso daquela coleção depende apenas da criatividade dos estilistas ou da força das campanhas de moda. Nos bastidores das grandes marcas, porém, existe um trabalho pouco conhecido que também influencia diretamente o que chega às vitrines e, consequentemente, ao guarda-roupa de artistas, influenciadores e consumidores.
Por trás de cada coleção existem decisões que envolvem planejamento, análise de custos, controle de estoque e estratégias capazes de definir se uma peça terá potencial para se tornar um sucesso ou acabar encalhada. É justamente nesse cenário que a controladoria vem ganhando espaço dentro do varejo de moda.
Uma pesquisa global da EY, divulgada em 2024 com mais de 1,2 mil controladores financeiros e líderes seniores da área, mostra que 86% dos entrevistados acreditam que essa função passará por mudanças significativas nos próximos cinco anos. A tendência é que esses profissionais deixem de atuar apenas no controle financeiro e participem cada vez mais das decisões estratégicas das empresas.
Para Julio Cesar de Almeida, especialista em controladoria e gestão financeira e atual Controller da 7 For All Mankind Brazil, a área precisa acompanhar o ritmo acelerado do mercado da moda.
“Controladoria não pode se limitar a explicar o que já aconteceu. Ela precisa ajudar a empresa a entender o que está acontecendo e quais decisões exigem atenção antes de afetarem o resultado”, afirma.
Com mais de 20 anos de atuação no setor, Julio Cesar construiu sua carreira em empresas como TVZ, Replay, Canal Concept, Vila Romana, Jogê e Inbrands, acompanhando de perto os desafios de um mercado em que coleções mudam rapidamente e cada decisão pode impactar vendas, estoques e rentabilidade.
Segundo o especialista, muito antes de uma roupa aparecer no corpo de uma celebridade ou chegar às lojas, ela passa por uma série de análises que ajudam a definir quantas peças serão produzidas, como serão distribuídas e qual será o impacto financeiro daquela coleção.
“Quando a informação está organizada por centro de custo, produto, loja ou canal, a administração passa a enxergar com mais precisão onde estão os desvios e onde existem oportunidades. O dado financeiro precisa chegar ao gestor de forma útil, no momento em que ele ainda pode agir.”
Em um setor marcado por tendências que mudam rapidamente, acompanhar apenas o volume de vendas já não basta. Giro de estoque, comportamento do consumidor, custos logísticos e margem de lucro são fatores que também influenciam as decisões das marcas e ajudam a definir quais coleções terão maior potencial de sucesso.
Para Julio Cesar de Almeida, transformar dados em decisões estratégicas tornou-se uma vantagem competitiva para empresas que precisam reagir rapidamente às mudanças do mercado.
“A empresa que acompanha seus números com método tem mais condições de corrigir a rota, negociar melhor e decidir onde investir”, afirma. “No varejo, em que o tempo de reação é curto, isso faz diferença.”










