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Governo acusa Trump de interferir na eleição brasileira

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Encontro Lula e TrumpRicardo Stuckert/PR

O governo brasileiro repudiou a revogação do visto da embaixadora Maria Luiza Ribeiro Viotti e acusou o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Republicano), de tentar interferir no processo eleitoral do país. A reação de terça-feira (05) eleva, ainda mais, a crise diplomática e mantém travado o aval para que Daniel Perez assuma a embaixada dos Estados Unidos em Brasília.

Em nota, o governo classificou como falsas as justificativas apresentadas por Washington. Também afirmou que a decisão não é um episódio isolado, mas parte de uma “escalada deliberada de medidas hostis” contra o Brasil, motivada por razões ideológicas e pelo “interesse descabido de interferir” na eleição presidencial.

Viotti não foi expulsa e poderá permanecer em Washington. A revogação, porém, limita a atuação da diplomata: caso deixe os Estados Unidos, ela terá de solicitar um novo visto para retornar. O governo americano informou que poderá restabelecer o documento se o impasse entre os dois países for resolvido.

Brasil rejeita argumento de reciprocidade

O Departamento de Estado apresentou a medida como uma resposta à demora do Brasil em aceitar Daniel Perez, indicado por Trump para chefiar a embaixada americana, e à negativa de vistos a dois integrantes do governo dos Estados Unidos.

A escolha de um embaixador depende do agrément, autorização reservada concedida pelo país que receberá o diplomata. O governo brasileiro sustenta que a análise do nome de Perez segue os procedimentos internacionais e acusa Washington de quebrar uma regra diplomática ao anunciar a indicação antes de receber a concordância de Brasília.

O Brasil também rejeitou a acusação de que estaria impedindo o trabalho regular de representantes americanos. No mês passado, o governo negou a entrada de Riley Barnes, secretário-assistente para Democracia, Direitos Humanos e Trabalho, e de um segundo integrante do Departamento de Estado.

Segundo Washington, os dois viajariam ao Brasil para discutir integridade eleitoral, liberdade religiosa e liberdade de expressão. Brasília afirma que a agenda incluía questionamentos ao sistema brasileiro de votação e representava uma tentativa inaceitável de interferir no processo político nacional.

O governo Trump nega qualquer plano de influenciar a eleição. Uma autoridade americana disse que as reuniões seriam rotineiras e acusou o Brasil de dificultar o trabalho diplomático entre os dois países.

Decisão sobre novo embaixador segue travada

O governo brasileiro não informou quando concluirá a análise do nome de Daniel Perez. Brasília já havia sinalizado, porém, que não tomaria uma decisão antes do primeiro turno da eleição, marcado para 4 de outubro.

A falta de uma resposta mantém as duas embaixadas em situação incomum. Viotti continua nos Estados Unidos sem um visto válido, enquanto Washington permanece sem um embaixador confirmado em Brasília.

Os Estados Unidos afirmaram que a autorização de Perez permitiria restabelecer o visto da diplomata brasileira. Também disseram que podem adotar outras medidas caso o impasse continue, embora tenham declarado interesse em retomar uma relação “normal” e “produtiva” com o Brasil.

A revogação havia sido anunciada horas antes pelo governo americano. Na ocasião, o Itamaraty ainda não havia apresentado uma resposta pública. 

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