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A coragem de Diana que ajudou a humanizar a luta contra a AIDS

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Esta foto foi registrada em 24 de abril de 1991, durante a viagem oficial da princesa ao país, quando ela passou por um abrigo voltado para crianças afetadas pelo HIV/AIDSReprodução

Em abril de 1987, a epidemia de AIDS ainda era cercada por medo e desinformação. Embora médicos e pesquisadores já soubessem que o HIV não era transmitido por um aperto de mão, um abraço ou pelo convívio cotidiano, boa parte da população acreditava exatamente o contrário. Pessoas soropositivas eram abandonadas por familiares, demitidas de seus empregos e tratadas como se representassem uma ameaça apenas por existirem.

A fotografia que percorreu o planeta.

Isso começaria a mudar quando no dia 9 de abril de 1987, durante a inauguração da ala Broderip do Middlesex Hospital, em Londres na Inglaterra, uma das primeiras unidades britânicas especializadas no tratamento de pacientes com HIV/AIDS. Diana caminhou entre os leitos, conversou com os internados e fez algo que parecia simples, mas que, naqueles dias, foi revolucionário. Sem usar luvas, apertou a mão de um paciente diante das câmeras.

Esta imagem mostra Diana, a Princesa de Gales, apertando a mão de um paciente sem luvas em abril de 1987. O ato histórico ocorreu no Middlesex Hospital, em Londres, durante a inauguração da ala BroderipReprodução

Em poucos segundos, aquela imagem desafiava anos de preconceito. Se uma das mulheres mais fotografadas do mundo não tinha medo de tocar um paciente com AIDS, por que o restante da sociedade deveria ter? O gesto tornou-se um divisor de águas na luta contra o estigma da doença e ajudou milhões de pessoas a compreender que o vírus não era transmitido pelo contato físico.

Mas aquele momento não foi uma ação isolada.

Diana transformou a causa em um compromisso pessoal. Nos anos seguintes, repetiu a mesma atitude em diferentes países. Em 1989, visitou pacientes no Harlem Hospital, em Nova York, onde conversou longamente com homens, mulheres e crianças vivendo com HIV, segurando suas mãos e oferecendo conforto diante da imprensa internacional.

Dois anos depois, em outubro de 1991, esteve no Casey House, em Toronto, o primeiro hospice especializado em AIDS do Canadá. Novamente, caminhou pelos corredores sem qualquer receio, sentou-se ao lado dos pacientes, ouviu suas histórias, apertou suas mãos e mostrou, mais uma vez, que o medo era fruto da desinformação, não da ciência. Até hoje, a instituição considera aquela visita um dos momentos mais importantes de sua história.

Esta imagem mostra a Princesa Diana cumprimentando um paciente sem luvas no Casey House, um hospício especializado em AIDS localizado em Toronto, no Canadá, em outubro de 1991Reprodução

No mesmo ano, Diana levou sua mensagem contra o preconceito para o Brasil.

Durante sua visita oficial ao país, em abril de 1991, a princesa esteve em São Paulo, onde visitou uma unidade da Fundação Estadual do Bem-Estar do Menor (Febem) que acolhia crianças vivendo com HIV/AIDS. Naquele período, muitas dessas crianças enfrentavam não apenas uma doença sem cura conhecida, mas também o abandono e o preconceito causado pela falta de informação.

Diante das câmeras, Diana fez novamente aquilo que havia se tornado uma marca de sua atuação humanitária: aproximou-se sem medo. Ela pegou as crianças no colo, abraçou, conversou e brincou com elas, demonstrando que o vírus não representava uma ameaça pelo simples contato físico.

Princesa de Gales em um abrigo para crianças abandonadas em São Paulo, Brasil, em abril de 1991.Várias das crianças acolhidas no local conviviam com o vírus HIV ou AIDS, em uma época de forte estigma social em relação à doençaReprodução

A cena tinha um peso enorme. Não era apenas uma princesa estrangeira visitando uma instituição; era uma das pessoas mais conhecidas do mundo mostrando que aquelas crianças não eram definidas por uma doença. Eram crianças que precisavam de cuidado, educação, afeto e oportunidades.

Além dessas visitas, em discursos e entrevistas, Diana repetia que pessoas com HIV “não tornam ninguém perigoso ao conhecê-las” e defendia que elas precisavam de apoio, não de exclusão. Sua estratégia era simples: mostrar na prática aquilo que a ciência já afirmava.

É impossível medir quantos preconceitos foram quebrados por aquelas imagens. O que se sabe é que elas ajudaram a mudar uma conversa global. Em uma época em que a AIDS era frequentemente associada ao medo e à exclusão, Diana usou a própria popularidade para transmitir uma mensagem que a ciência tentava explicar havia anos: o vírus podia atacar o corpo, mas o preconceito destruía vidas.

Ela não descobriu um tratamento, não desenvolveu uma vacina e não encerrou a epidemia. Ainda assim, deixou uma contribuição que atravessou gerações. Ao trocar o medo pela empatia, mostrou que a humanidade também pode ser uma poderosa ferramenta de saúde pública.

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