A Oncoclínicas (ONCO3), uma das maiores redes de tratamento contra o câncer do País, entrou com um pedido de recuperação extrajudicial para renegociar R$ 5,1 bilhões em dívidas financeiras. Segundo a empresa, a medida busca reorganizar sua situação financeira sem interromper os atendimentos realizados em suas unidades.
O que é recuperação extrajudicial?
A recuperação extrajudicial é uma alternativa da lei que permite às empresas negociar suas dívidas com os credores sem precisar recorrer à recuperação judicial tradicional.
A companhia apresenta um plano de reestruturação, que precisa ser aprovado por parte dos credores e, depois, homologado pela Justiça.
A Oncoclínicas informou que já conta com o apoio de credores que representam cerca de 37% das dívidas incluídas no plano, o percentual será suficiente.
Agora, a empresa terá até 90 dias para conseguir a adesão necessária para que o plano seja homologado e passe a valer para todos os credores envolvidos.
O que pode mudar?
Entre as possibilidades estão:
- aporte de recursos pelos acionistas;
- conversão de parte da dívida em ações da empresa;
- substituição das dívidas atuais por novos financiamentos;
- alongamento dos prazos de pagamento.
A Oncoclínicas informou que essas alternativas ainda serão discutidas com os credores e podem ser adotadas de forma conjunta ou não.
Atendimento aos pacientes será mantido
Se você faz tratamento em uma unidade da Oncoclínicas, não precisa se preocupar. A empresa afirmou que o processo de recuperação extrajudicial não afetará os atendimentos nem os pagamentos relacionados às operações do dia a dia, como fornecedores e parceiros considerados essenciais.
Segundo a companhia, todas as unidades seguem funcionando normalmente em todo Brasil.
Empresa rescindiu contratos de aluguel
Como parte da reestruturação financeira, a empresa rescindiu dois contratos de aluguel. Um deles é referente a um imóvel localizado na Avenida Angélica, em São Paulo. A multa pela rescisão foi estimada em R$ 76 milhões e passou a integrar o processo de renegociação das dívidas.
O outro contrato era destinado à construção de um hospital em Goiânia. Nesse, o valor ainda está sendo calculado.
O pedido de recuperação extrajudicial foi aprovado por unanimidade pelo conselho de administração e ainda será submetido aos acionistas em uma Assembleia Geral Extraordinária (AGE).
Entenda o cenário
Em março deste ano, a empresa iniciou negociações com a Porto Seguro e o Fleury para criar uma nova companhia voltada ao tratamento oncológico. O projeto previa um investimento de cerca de R$ 500 milhões e tinha como objetivo reduzir as dividas da rede.
As negociações foram encerradas em abril sem um acordo. Desde então, a companhia passou a buscar outras alternativas para se reorganizar, chegando ao pedido de recuperação extrajudicial anunciado nesta semana.
Relatórios de instituições financeiras também indicavam que a empresa já vinha adotando medidas para fortalecer sua situação, como aumento de capital, venda de ativos considerados não estratégicos e mudanças na diretoria e no conselho de administração.
Agora, o próximo passo será a negociação com os credores. Caso consiga a adesão necessária dentro do prazo previsto, o plano poderá ser homologado pela Justiça e passar a valer para todos os envolvidos.
A reportagem do iG entrou em contato com a Oncoclínicas e até o momento não obteve retorno. O espaço segue aberto.
*Estagiária sob supervisão










