Representantes da indústria da carne, pecuaristas e integrantes do Ministério da Agricultura se reúnem nesta quarta-feira (8), na sede da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), em Brasília, para definir uma estratégia que evite um bloqueio da União Europeia às exportações brasileiras de proteínas animais. Se não houver acordo, o impacto comercial poderá chegar a US$ 1,8 bilhão por ano.
A União Europeia passou a exigir que carnes e derivados importados sejam produzidos sem determinados antimicrobianos. Por isso, o bloco poderá barrar produtos brasileiros a partir de setembro caso o país não comprove o cumprimento das novas regras.
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Governo tenta unificar posição da cadeia pecuária
O tema divide a cadeia pecuária há vários meses. De um lado, os frigoríficos defendem o banimento dos antimicrobianos exigidos pela União Europeia para preservar o acesso ao mercado europeu. Do outro, os pecuaristas rejeitam a proposta por temerem prejuízos à produtividade.
Enquanto isso, o Ministério da Agricultura passou a exigir, desde a semana passada, o controle de todo o ciclo produtivo dos animais destinados à Europa. Além disso, determinou a segregação desses rebanhos.
A senadora e ex-ministra da Agricultura Tereza Cristina articulou a reunião para aproximar governo, indústria e produtores. Assim, ela busca construir uma estratégia única para enfrentar o impasse.
Ministério cobra participação do setor produtivo
Na terça-feira (7), o ministro da Agricultura, André de Paula, respondeu ao requerimento apresentado pelo deputado Evair de Melo sobre o risco de o Brasil perder a autorização para exportar carnes e derivados à União Europeia.
Segundo o ministério, a solução depende também do setor produtivo. A pasta explicou que alguns antimicrobianos proibidos pelos europeus continuam registrados para uso na bovinocultura, avicultura e suinocultura brasileiras.
Dessa forma, os próprios produtores precisam criar sistemas capazes de separar os animais destinados ao mercado europeu e comprovar que cumprem todas as exigências sanitárias.
Governo afirma que alertou o setor desde 2023
O Ministério da Agricultura informou que mantém reuniões e trocas de informações com entidades da cadeia pecuária desde 2023.
Ao todo, o governo realizou pelo menos 32 encontros para discutir o tema. Além disso, a pasta afirmou que alertou o setor sobre a necessidade de desenvolver mecanismos próprios de controle.
Segundo o ministério, não existia perspectiva de proibir esses medicamentos no Brasil. Por isso, o setor privado precisaria organizar sistemas de rastreabilidade e segregação para atender às exigências europeias.
Pecuaristas rejeitam banimento da monensina
A principal discussão envolve a monensina, substância utilizada para melhorar o desempenho e a eficiência alimentar do rebanho.
A CNA mantém posição contrária ao banimento do produto. Segundo representantes dos pecuaristas, a retirada da monensina pode comprometer a produção de animais destinados ao chamado boi China.
Esse mercado exige bovinos abatidos com até 30 meses de idade. Como a substância acelera o ganho de peso, muitos produtores acreditam que a proibição dificultará o atendimento desse requisito.
Países vizinhos já adotaram outro modelo
Argentina e Uruguai proibiram o uso dos antimicrobianos exigidos pela União Europeia. Entretanto, laboratórios desses países passaram a oferecer produtos alternativos aos pecuaristas.
No Brasil, por outro lado, representantes do setor afirmam que ainda não existem substitutos economicamente viáveis.
Além disso, a pecuária brasileira utiliza principalmente zebuínos. Essas raças levam mais tempo para atingir o peso ideal de abate do que as raças europeias criadas na Argentina e no Uruguai. Por esse motivo, muitos produtores consideram a monensina uma ferramenta importante para manter a competitividade das exportações brasileiras.
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