A primeira frente fria de 2026 já trouxe prejuízos para produtores rurais de Mato Grosso do Sul. Segundo a Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal (Iagro), cinco propriedades registraram mortes de bovinos por hipotermia, totalizando 83 animais mortos neste mês.
De acordo com o diretor-presidente da instituição, Daniel Ingold, o problema ocorre quando há uma queda brusca de temperatura acompanhada de chuva, garoa e ventos fortes em poucas horas.
“Em poucas horas, a temperatura pode cair de 32 °C para 5 °C. Nessas condições, os animais mais vulneráveis são aqueles que já estão debilitados, magros ou estressados, como bois que passaram por transporte recentemente”, explica.
Segundo Ingold, esses animais ficam mais suscetíveis à hipotermia, principalmente em regiões abertas do Pantanal, onde há pouca vegetação para servir de abrigo contra o vento gelado.
“Nessa região existem grandes áreas abertas, sem mata ou vegetação para servir de abrigo. Com isso, o animal fica totalmente exposto ao vento gelado, e a sensação térmica acaba sendo muito menor do que a temperatura registrada”, afirma.
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Mortes já ocorreram em outros anos
O diretor-presidente da Iagro destaca que episódios semelhantes já foram registrados anteriormente no Estado. Em 2010, cerca de 5 mil bovinos morreram em decorrência do frio. Já em 2023, o número chegou a aproximadamente 3 mil animais.
Neste ano, porém, as notificações somam 83 mortes até o momento.
“Não dá para dizer que isso é normal, mas também não é algo inédito. O cenário de 2023, por exemplo, foi muito mais grave e chegou a configurar uma emergência sanitária”, diz Ingold.
Segundo ele, um único produtor da região de Corumbá perdeu 386 cabeças de gado em 2023.
Manejo adequado pode reduzir prejuízos
Para minimizar as perdas, a Iagro recomenda reforçar o manejo do rebanho durante períodos de frio intenso. A orientação é manter os animais mais frágeis em áreas protegidas e evitar locais abertos ou próximos de rios e córregos, onde a sensação térmica costuma ser menor.
Além disso, a suplementação alimentar também ajuda a fortalecer o gado, especialmente porque o frio reduz a qualidade das pastagens e aumenta o déficit nutricional dos animais.
“Muitas vezes o animal simplesmente deita e morre”, alerta Ingold ao explicar que a hipotermia pode agir rapidamente e sem sinais clínicos evidentes.
O diretor também afirma que a tecnologia permite prever a chegada das massas de ar frio, o que ajuda os produtores a se prepararem com antecedência.
Iagro monitora casos para descartar doenças
Sempre que ocorre uma mortalidade elevada, equipes da Iagro visitam as propriedades para confirmar se a causa das mortes foi realmente hipotermia ou alguma enfermidade.
Segundo Ingold, o monitoramento é essencial porque Mato Grosso do Sul possui status sanitário de livre de febre aftosa sem vacinação, condição importante para o mercado internacional.
Ele reforça ainda que os produtores devem comunicar imediatamente os casos à agência para facilitar o acompanhamento e a orientação técnica.
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