A modelo e ex-BBB Yasmin Brunet voltou a falar publicamente sobre o lipedema ao compartilhar imagens de hematomas nas pernas causados pela condição. “Ter lipedema é saber que você vai ter hematomas do nada”, desabafou nas redes sociais. “Não é fácil, mas estou aprendendo a lidar com isso”, completou.
O relato trouxe discussões sobre uma doença que ainda permanece cercada por desinformação e diagnósticos tardios, apesar de atingir milhões de mulheres. Segundo o Consenso Brasileiro de Lipedema 2025, a condição afeta cerca de 12,3% da população feminina no Brasil.
A condição foi oficialmente reconhecida pela Classificação Internacional de Doenças (CID) apenas em 2022 e costuma ser confundida com obesidade, retenção de líquido ou linfedema. O lipedema provoca acúmulo anormal de gordura, principalmente em pernas, quadris e, em alguns casos, braços, geralmente acompanhado de dor, sensibilidade, inchaço e hematomas espontâneos.
De acordo com o cirurgião vascular Dr. Herik Oliveira, especialista pela Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular (SBACV), existe um padrão característico da doença que ajuda no diagnóstico. “O acúmulo de gordura acontece de forma simétrica, bilateralmente, e normalmente não responde ao emagrecimento convencional. Uma característica importante é que, diferentemente de outras causas de inchaço, o lipedema costuma poupar os pés”, explica.
Segundo o especialista, os hematomas espontâneos relatados por Yasmin Brunet representam um dos sinais mais frequentes da doença e estão ligados à fragilidade vascular causada pela inflamação crônica do tecido adiposo.
Yasmin revelou o diagnóstico durante participação no BBB 24 e desde então passou por mudanças importantes na rotina. A modelo adotou alimentação anti-inflamatória, retirando glúten e reduzindo lactose, além de intensificar a prática de exercícios físicos. Segundo ela, as mudanças contribuíram para redução da inflamação e perda de peso.
O tratamento do lipedema, porém, envolve diferentes abordagens e precisa ser individualizado para cada paciente. Entre as estratégias mais utilizadas estão exercícios físicos orientados, alimentação anti-inflamatória, controle do peso, terapias compressivas, drenagem, acompanhamento multidisciplinar e, em alguns casos, procedimentos cirúrgicos.
“O mais importante é que a paciente não enfrente isso sozinha. Muitas mulheres convivem anos com dor, inchaço e hematomas acreditando que isso é normal ou consequência apenas do corpo. O lipedema é uma doença crônica, progressiva e que precisa de acompanhamento adequado”, reforça Dr. Herik Oliveira.
Nos últimos anos, o tema ganhou maior visibilidade nas redes sociais após celebridades e influenciadoras relatarem os próprios diagnósticos publicamente. Ainda assim, especialistas alertam que muitas mulheres seguem sem diagnóstico correto, principalmente por desconhecimento sobre os sintomas e pela dificuldade de diferenciar o lipedema de outras condições relacionadas ao peso e à circulação.











