A TV aberta segue em uma crise imensurável de criatividade e um exemplo disso pode ser visto nas tardes de domingo da Record. O programa Acerte ou Caia, comandado por Tom Cavalcante, é alvo de críticas nos bastidores do mercado televisivo por entregar um formato engessado, burocrático, cansativo e incapaz de criar qualquer senso de urgência no público.
A promessa era de um game show popular, vibrante e explosivo. Na prática, a atração se transformou em um produto arrastado, com dinâmica repetitiva e um humor preso aos anos 2000. Em diversos momentos, o programa transmite a sensação de que está sempre começando, dá sinais que vai decolar, mas nunca chega a lugar algum.
O principal problema está no ritmo. Existem pausas e explicações demais e pouca emoção. A queda no buraco, que deveria ser o grande ápice do formato, mas perde rapidamente o protagonismo. Após poucos minutos, o telespectador já entende toda a mecânica e quem insiste em continuar assistindo, o faz por comodismo. Falta surpresa. Falta tensão. Falta televisão de verdade.
Internamente, executivos do mercado avaliam que o programa sofre de um problema clássico da TV aberta atual: apostar mais no nome do apresentador do que no conteúdo. Isso acaba se tornando um peso, porque nem sempre o carisma protocolar de Tom Cavalcante consegue esconder o desgaste do formato.
Aliás, Tom parece desconfortável em diversos momentos. Há excesso de intervenções, piadas descontextualizadas e comentários que quebram o ritmo do jogo. O apresentador continua sendo um comunicador talentoso, mas o formato simplesmente não conversa com a velocidade que o público exige.
Números despencado
E tudo isso se reflete nos números do Ibope. A atração ocupa o terceiro lugar em audiência e perde constantemente para Celso Portiolli, que comanda o Domingo Legal. No último domingo (10), o programa da Record marcou apenas 5,2 pontos. Um grande fiasco para um dia em que as famílias costumam estar em frente à TV. Em algumas ocasiões, a atração chega a registrar somente 4,5 pontos de média, um desempenho considerado alarmante. Por trás das câmeras, já existe apreensão sobre o potencial desgaste caso a audiência continue em queda.
Outro ponto que chama atenção: o produto não gera repercussão. Não viraliza. Não cria bordões. Não produz cortes interessantes para as redes sociais. Na era digital, isso é um grande pecado. Em um cenário em que até programas medianos sobrevivem graças ao engajamento online, o Acerte ou Caia simplesmente passa em branco.
E talvez esse seja o retrato mais duro da atração.
Não cola. Não emociona. Não incomoda a concorrência. Não revolta. Não diverte.
Só passa.
Na televisão atual, isso pode ser ainda pior do que fracassar.











