Pesquisadores brasileiros desenvolveram um sistema que usa drones e inteligência artificial para monitorar o crescimento de bovinos em confinamento e indicar o momento mais eficiente para venda ou abate. A tecnologia pode reduzir custos, melhorar o bem-estar animal e aumentar a rentabilidade da pecuária.
O estudo, publicado na revista científica Computers and Electronics in Agriculture, integra o projeto Semear Digital, sediado na Embrapa Agricultura Digital, em Campinas (SP). A iniciativa faz parte dos Centros de Ciência para o Desenvolvimento (CCDs) da Fapesp.
Segundo os pesquisadores, métodos tradicionais de pesagem exigem manejo frequente e causam estresse nos animais, o que prejudica o ganho de peso. Além disso, o uso de balanças pode gerar custos com manutenção e falhas operacionais.
- Exportadores podem perder US$ 1,8 bilhão por ano com decisão da União Europeia
- JBS registra lucro de US$ 221 milhões no primeiro trimestre de 2026
“Queríamos reduzir o estresse e, ao mesmo tempo, identificar o momento exato em que o animal atinge o melhor desempenho produtivo”, explica Everton Tetila, pesquisador do projeto e professor da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD).
Monitoramento com drones e IA
A equipe testou o sistema em um confinamento no Mato Grosso do Sul, onde acompanhou um lote de bovinos por 112 dias. Durante o período, drones sobrevoaram a área regularmente, a cerca de 15 metros de altura, para capturar imagens dos animais.
Com base nessas imagens, modelos de inteligência artificial identificaram os bovinos, segmentaram automaticamente seus corpos e extraíram medidas como comprimento e largura. Esses dados permitiram acompanhar o crescimento dos animais ao longo do ciclo produtivo.
“Modelamos a relação entre medidas corporais e ganho de peso, considerando variações ao longo do tempo”, afirma Tetila.
Ponto de inflexão define melhor momento
Os pesquisadores identificaram um padrão claro de crescimento: após uma fase inicial de adaptação, os animais entram em um período de ganho acelerado de peso, seguido por desaceleração.
O chamado “ponto de inflexão” marca o momento em que o ganho de peso atinge o pico e começa a cair. Esse ponto indica o período mais vantajoso para o abate ou venda.
“Após esse estágio, o animal passa a converter alimento em peso de forma menos eficiente, o que eleva os custos de produção”, destaca o pesquisador.
Segundo o estudo, identificar esse momento com precisão pode gerar ganhos expressivos, especialmente em grandes rebanhos. Em sistemas intensivos, a diferença de um único dia pode impactar diretamente os custos com alimentação e a eficiência produtiva.
Novas aplicações na pecuária de precisão
A tecnologia também abre caminho para outras aplicações no campo. A mesma base de dados já permite desenvolver modelos capazes de analisar o comportamento dos animais e detectar anomalias, como estresse ou interações inadequadas no confinamento.
Os pesquisadores agora trabalham na adaptação do sistema para outras raças, como Angus e Brahman, além de avançar na validação em escala comercial.
A expectativa é que a solução fortaleça a chamada pecuária de precisão, ao permitir decisões mais assertivas e redução de custos. “Com o momento ideal de abate bem definido, o produtor melhora sua eficiência e pode até contribuir para reduzir o preço final da carne”, afirma Tetila.
Apesar dos avanços, a tecnologia ainda não chegou ao mercado. A equipe já desenvolveu um protótipo funcional e busca parceiros para viabilizar a comercialização.
The post Drones e inteligência artificial ajudam a definir o momento ideal de abate do gado appeared first on Agro em Campo.











