MENU

Como funciona a organização de um formigueiro?

walmir-banner01
Shadow
Formigas rainhas de jardimFreePik

Formigas trabalham em ninhos há mais de 100 milhões de anos. Sem um líder central, se dividem em três grupos especializados, com funções que variam conforme o tempo e a necessidade da colônia: rainha, operárias e machos, cada um desenvolvendo um papel para garantir a sobrevivência do grupo e o equilíbrio dos ecossistemas.

A rainha é uma fêmea fértil que inicialmente possui asas mas que as perde durante o voo nupcial, ela é definida de acordo com condições biológicas e tem como função única a reprodução, sendo responsável por colocar os ovos que dão origem a todos os indivíduos da colônia.

Maria Santina de Castro Morini, pesquisadora e professora de pós-graduação na Universidade de Mogi das Cruzes, em São Paulo, explica que a abelha se torna rainha, principalmente, por condições biológicas durante o desenvolvimento.

Segundo ela, determinadas larvas recebem cuidados especiais na colônia e elas se tornarão “gines”, que serão futuras rainhas,  após o acasalamento.

Neste caso, elas terão ovários funcionais, serão maiores e terão asas. As asas na fase reprodutiva são fundamentais para o processo de acasalamento, que é feito com vários machos de outras colônias. Após, o acasalamento a rainha corta as asas e funda um novo formigueiro.  

Duelo de rainhas

Porém, nem sempre há uma por colônia. Segundo pesquisa da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), realizada na Ilha do Cardoso, em São Paulo, algumas populações de formigas possuem de uma a 12 rainhas.

Além disso, o estudo ainda diz que elas duelam entre si por meio de antenas e mandíbulas, no qual a vencedora se torna a rainha-alfa.

As operárias também são fêmeas, porém não se reproduzem e não possuem asas. Elas são responsáveis pela maior parte das atividades do ninho como cuidar das larvas, buscar alimento, construir e defender a colônia. 

Em algumas espécies, há também os soldados, que são operárias maiores e mais especializadas na defesa.

Já os machos tem função exclusivamente reprodutiva e surgem em períodos específicos para o voo nupcial. Após o acasalamento, morrem pouco tempo depois.

A pesquisadora ainda afirma que as substâncias químicas são produzidas por glândulas, como por exemplo, as mandibulares.

Assim, constroem e expandem o formigueiro com túneis e câmaras cavados pelas mandíbulas.

De acordo com Maria Santina, é possível verificar a escavação, pois as partículas de solo são depositadas fora do ninho, existindo neste processo, uma forte interação com o meio ambiente, em fatores como umidade do solo e temperatura.

A linguagem química, dessa forma, contribui para construção e expansão do formigueiro. Segundo Ricardo, a construção acontece por auto-organização em que cada operária segue regras simples, baseadas em estímulos locais, como cavar ou depositar terra onde já há material acumulado. 

Ele ainda ressalta que o formato final do ninho não é aleatório, sendo dependente do ambiente, do tamanho da colônia e até as características das próprias formigas, circunstâncias que também afetam o tempo de duração, que pode durar de 1 a mais de 10 anos.

No Brasil, as espécies de formigas podem ter diversas características.

Uma pesquisa da Universidade Estadual Paulista (Unesp) constata que a espécie Atta sexdens (formiga-cortadeira) possui divisão funcional de câmaras, com controle de temperatura e de ventilação. Além disso, se alimentam de fungos e podem ter milhares de operárias.

Por outro lado, especialistas observam que há espécies arborícolas que constroem seus ninhos suspensos na vegetação, utilizando fibras vegetais e folhas das árvores.

De forma geral, as formigas contribuem para o meio ambiente pois, ao escavar o solo, ajudam a melhorar sua estrutura, ao aumentar a entrada de ar, a infiltração de água e a redistribuição de nutrientes.

Elas também ajudam na dispersão de sementes, transportando-as para dentro do ninho, local em que ficam protegidas, fazendo com que possua maiores chances de germinar, além de ajudarem a controlar populações de outros organismos, tendo em vista que atuam como predadoras ou competidoras.

*Estagiária sob supervisão

PUBLICIDADE