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A navegação no estreito de Ormuz

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Crise entre Irã e Estados UnidosImagem gerada por IA

As declarações do presidente Trump não refletem exatamente o cenário real da situação no estreito de Ormuz e podem nos levar a conclusões erradas . A passagem tem restrições e não está segura , conta com áreas vetadas a navegação, e as empresas de transporte marítimo seguem incertas quanto a enviar seus navios a região.

Como ex-embaixador no Irã sou testemunha da capacidade de resistência dos antigos persas . O primeiro choque de realidade ou ajuste de expectativas veio do chanceler iraniano,Abbas Araghchi . Na rede social X ele disse que o cessar-fogo não está sendo respeitado e que a data de expiração desse acordo 22 do corrente exige um novo acordo em Islamabad que se encontra em risco após os ataques em Ormuz por ambas as partes.

Para Teerã a navegação deve ocorrer na rota coordenada com o governo do Irã o que é inaceitável para os americanos. Um acordo sobre Ormuz não oferece de imediato clareza suficiente para que alguém tome decisões definitivas disse Richard Meade , editor chefe da Lloyds List, jornal britânico especializado em navegação marítima.

Recentemente, ao liberar a passagem de embarcações por Ormuz, mediante autorização da guarda revolucionária e potencial pagamento de dois milhões de dólares por navio, os iranianos estabeleceram uma rota ao largo da ilha de Larak, próxima à costa, que lhes dá poder sobre quem por ali transita . Antes da guerra os navios usavam duas rotas em águas de Omã e Irã. Em comum, a guarda revolucionária disse que apenas embarcações civis terão a passagem liberada mediante autorização militar prévia, e excluindo o trânsito de embarcações militares, termos julgados inaceitáveis por Washington.

Essas diferenças profundas e os ataques militares mútuos que continuam entre o Irã e os Estados Unidos dificultam sobremaneira as negociações diplomáticas em Islamabad. As ameaças de Donald Trump e o bloqueio naval com imediata reação iraniana não entusiasmam nenhum armador a usar Ormuz como pude testemunhar em recente reunião de armadores gregos em Atenas. O receio de um ataque aos navios persiste e inibe o tráfego marítimo na região do golfo pérsico.

Pelo momento o preço do seguro é exorbitante e as perspectivas a curto prazo de paz permanente na área parecem remotas. Minas navais foram postas pelo Irã de maneira errática e hoje não se sabe exatamente onde estão e muitas vezes as suas posições não foram marcas pelo Irã. Os militares americanos e iranianos não tem meios no momento para desativar ou retirar as minas rapidamente. Essa insegurança vai persistir por algum tempo e ninguém sabe exatamente por quanto tempo essa situação vai durar nessa área.

Desde março o tráfego marítimo na região caiu noventa por cento e há cerca de dois mil navios com vinte mil tripulantes nos arredores de Ormuz. Por enquanto portanto a maioria dos armadores vai continuar a evitar a passagem por Ormuz e as próprias companhias de seguro não parecem ter pressa para aceitar novos contratos ou para reduzir os altos valores cobrados .

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