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O que são fundos de crédito de carbono? Entenda

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O que são os fundos de crédito de carbono?Reprodução/ Shutterstock

Diante da necessidade de reduzir as emissões de carbono e conter o aquecimento global e as mudanças climáticas, algumas empresas passaram a adotar iniciativas voluntárias para diminuir o impacto ambiental e até contribuir para a recuperação de ecossistemas. Quando essas ações evitam que gases de efeito estufa sejam liberados na atmosfera, a redução pode ser contabilizada e transformada em créditos de carbono.

Mercado de carbono

O mercado de carbono é um sistema econômico que permite a negociação de créditos de carbono entre empresas e países.

Nesse sistema, organizações que emitem grandes quantidades de gases de efeito estufa podem adquirir créditos para compensar parte de suas emissões. Assim, quanto menor for o nível de poluição gerado por uma empresa ou país, maior será sua capacidade de gerar créditos.

Esses créditos podem ser obtidos de diferentes formas, como pela substituição de combustíveis fósseis por fontes de energia renovável ou por meio de projetos ambientais, como reflorestamento e recuperação de áreas degradadas, que ampliam a cobertura vegetal e aumentam a capacidade do solo de armazenar carbono.

Essas propostas passam por um processo de certificação baseado em metodologias reconhecidas internacionalmente.

Durante a avaliação, são analisados critérios como:

  • Adicionalidade: se a redução de emissões só ocorreu graças ao projeto;
  • Mensurabilidade: se é possível medir com precisão o carbono evitado ou capturado;
  • Permanência: se a redução é duradoura;
  • Integridade ambiental: se a iniciativa não gera emissões indiretas em outro lugar. 

A professora de economia, Luiza Sampaio, explica que esses fundos funcionam como uma forma estruturada de acesso ao mercado climático.

Segundo ela, esse tipo de investimento pode ocorrer tanto em mercados regulados quanto no mercado voluntário de carbono, que reúne empresas e investidores interessados em compensar suas emissões ou financiar projetos ambientais.

Quem pode investir nesses fundos?

Quem pode investir nesses fundos?Reprodução/ Pixabay

Luiza explica que o mercado de carbono é acessível a diferentes perfis de investidores, desde institucionais e empresas com metas de redução de emissões até companhias com compromissos ESG (Environmental, Social and Governance) e investidores de varejo, que podem entrar nesse segmento por meio de ETFs (Exchange Traded Funds).

De acordo com ela, os critérios de elegibilidade variam conforme o fundo. Mas, em geral, incluem exigências de governança, análise técnica e também envolvem alinhamento a certificações reconhecidas.

Além disso, é necessário cumprir as regras do mercado regulado, como as do Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões (SBCE). Esse sistema foi criado pela Lei 15.042/2024 e segue normas da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

Já o economista Cícero Pimenteira destaca que tanto pessoas físicas quanto jurídicas podem investir em créditos de carbono, desde que atendam a determinadas exigências do mercado. 

Ele ressalta que investidores qualificados, com pelo menos R$ 1 milhão aplicados, têm acesso por meio de fundos de sustentabilidade, tokens ou CDI.

No caso de investidores de varejo, é comum que costumem participar via fundos temáticos ou plataformas financeiras voltadas a investimentos sustentáveis.

Cícero também afirma que no caso das pessoas jurídicas, o uso desses créditos está geralmente associado à compensação de emissões. As companhias compram créditos vinculados a projetos futuros de captura de carbono, que precisam ser validados por certificadoras independentes.

Como os créditos de carbono são gerados?

Como os créditos de carbono são gerados?Reprodução/ Unsplash/Towfiqu barbhuiya

Os créditos são originados a partir de projetos ambientais voltados à redução ou remoção de gases de efeito estufa. Entre as iniciativas mais comuns estão reflorestamento, conservação de florestas, geração de energia renovável e tecnologias de captura de carbono.

Luzia Sampaio afirma que a certificação é realizada por organismos internacionais especializados, responsáveis por verificar se a redução de emissões realmente ocorreu.

Ela também destaca que o mercado brasileiro passou a ganhar novas regras com a criação do SBCE, que estabelece bases para a regulamentação do mercado de carbono no país.

Riscos e desafios do mercado

Apesar da expansão desse setor, os especialistas alertam que os investimentos em créditos de carbono também envolvem riscos, principalmente quando não há verificação adequada dos projetos.

Luiza Sampaio aponta que fatores regulatórios, operacionais e de qualidade podem afetar o desempenho desses investimentos.

Já Cícero Pimenteira orienta que é fundamental avaliar esse tipo de investimento com cautela. Segundo ele, eventos como incêndios florestais e secas prolongadas podem afetar projetos de captura de carbono. Por isso, o economista recomenda buscar orientação especializada antes de tomar qualquer decisão.

Por que investir nesse mercado?

Por que investir nesse mercadoReprodução/ Unsplash

Em relação ao interesse por investimentos em fundos de crédito de carbono, Luiza Sampaio afirma que a procura crescente está diretamente ligada ao avanço global das estratégias de descarbonização e ao fortalecimento das metas climáticas internacionais.

Segundo ela, trata-se de um mercado em rápida expansão, impulsionado por compromissos de neutralidade de emissões (Net Zero) e por novas regras internacionais que aumentam a segurança e a padronização desse tipo de investimento.

A especialista destaca ainda que a tendência é de aumento da demanda nas próximas décadas, à medida que empresas e governos ampliam seus compromissos ambientais.

Outro fator que fortalece esse mercado é o avanço das regulações, a exemplo de iniciativas como as regulações como o SBCE. Que segundo a especialista isso faz com que no Brasil tornam o mercado mais formal, transparente e estratégico para empresas que querem competir globalmente.

Além do possível retorno financeiro, muitos investidores veem nesse mercado uma oportunidade de contribuir para a redução dos impactos ambientais causados pelas atividades humanas. E para Cícero Pimenteira, esse deve ser o principal objetivo dessas iniciativas.

Segundo o economista, projetos que estimulam a captura de carbono podem trazer benefícios ambientais e sociais, como a recuperação de ecossistemas e a preservação da biodiversidade.

Como investir em fundos de crédito de carbono?

Como investir em fundos de crédito de carbono?Reprodução/ Freepik

De acordo com os economistas, o acesso a investimentos em crédito de carbono ocorre por diferentes instrumentos financeiros e as opções atendem desde investidores iniciantes até perfis mais experientes. Cada modalidade possui características, riscos e níveis de acesso distintos.

Entre as alternativas, estão os ETFs, que são mais simples e acessíveis ao investidor de varejo. Além disso, existem também os fundos mútuos e abertos, que contam com gestão ativa e maior diversificação.

Já os fundos privados são direcionados a investidores qualificados e costumam focar em projetos específicos, como conservação florestal, bioeconomia e iniciativas de remoção de carbono.

Além dos fundos, empresas podem participar diretamente do mercado. Nesse caso, adquirem créditos certificados para compensar suas próprias emissões de gases de efeito estufa. Essa prática tem sido cada vez mais comum entre companhias com metas ambientais.

Os especialistas ainda destacam que as instituições públicas possuem um papel importante para o desenvolvimento desse mercado. No Brasil, por exemplo, o BNDES tem atuado no incentivo a fundos climáticos e projetos voltados à descarbonização, contribuindo para a expansão do setor.

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