Há poucos dias, o mundo se encantou com a Missão Artemis, da Nasa, que levou seres humanos para orbitarem ao redor da superfície lunar.
Toda a tecnologia envolvida na missão parece muito distante de nós, brasileiros. Porém, nem tanto. Estamos mais perto do que parece.
O Brasil faz parte dos acordos Artemis, que buscam viabilizar a presença humana sustentável na Lua, abrir caminho para futuras missões a Marte e impulsionar o desenvolvimento de tecnologias com aplicação tanto no espaço quanto na Terra. E uma de nossas principais contribuições está na agricultura espacial.
A Frente de Agricultura Espacial do Brasil, conduzida pela Embrapa em parceria com a AEB (Agência Espacial Brasileira), que representa o Brasil no projeto Artemis, faz parte da Rede Space Farming Brazil, que reúne instituições nacionais e internacionais, e atua no desenvolvimento de tecnologias adaptáveis ao ambiente espacial e a cenários críticos na Terra.
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O objetivo é desenvolver sistemas de produção de alimentos capazes de operar em condições extremas, como baixa gravidade, alta radiação e ausência de solo, com foco na viabilização da permanência humana em ambientes como a Lua. Em outras palavras: trata-se do cultivo de plantas no espaço.
Tendo em vista as condições extremas atuais do planeta devido às mudanças climáticas, os estudos visam também gerar tecnologias e produtos a serem utilizados nesta nossa Terra tão castigada. E olha que vamos precisar.
Grão-de-bico e batata-doce
Os pesquisadores brasileiros estão estudando no momento dois alimentos para serem reproduzidos no espaço: a batata-doce roxa, do tipo Anembé, e o grão-de-bico. A Anembé é rica em antocianina, substância que protege o organismo em situações mutagênicas, que podem ser causadas pela radiação espacial.
O vegetal também tem baixa produção de resíduos e pode ser quase 100% aproveitado. Já o grão-de-bico, além permitir uma versatilidade de uso em diversas preparações, é rico em proteínas, fibras e triptofano, precursor da serotonina, substância capaz de melhorar o humor – algo que os astronautas precisam.
Nesta primeira fase, os alimentos estão sendo cultivados em ambientes fechados, em terra, para daqui a alguns anos, serem testados em órbita, em estações espaciais. Muitas destas estações, aliás, já contam com câmaras em que são plantados diversos alimentos, como alface, tomate e pimentões.
Em um mundo que falta comida para alimentar uma população global faminta que não para de crescer, talvez realmente uma das soluções esteja no céu. Ou nas galáxias.









