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Césio-137: saiba o que causa o brilho azul do material radioativo

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Césio-137: saiba o que causa o brilho azul do material radioativoGerado por IA

O Césio-137 é um material radioativo que pode emitir um brilho azul em algumas situações. Esse efeito chama atenção, mas também é motivo de preocupação, pois está ligado à radiação. Mas afinal, de onde vem essa luz azul tão marcante?

  • Confira também: Acidente com Césio-137: relembre a história

Origem do material e do fenômeno

O Césio-137 é gerado a partir da fissão nuclear e não existe de forma natural no ambiente. Ele surge quando átomos pesados, como urânio ou plutônio, se dividem em reatores nucleares, testes ou acidentes.

O brilho observado, no entanto, não vem do material em si, mas da interação da radiação que ele emite com o meio ao redor, como o ar ou a água.

Como surge esse brilho?

O fenômeno responsável pelo brilho está ligado à Radiação de Cherenkov. Quando o Césio-137 libera partículas beta (elétrons de alta energia), elas podem atingir velocidades extremamente altas. E em certos meios, como a água, elas chegam a se mover mais rápido que a própria luz.

Apesar de parecer contraditório, esse fato não viola as leis da física: nada ultrapassa a velocidade da luz no vácuo. Entretanto, em materiais como a água, a luz se propaga mais lentamente.

De acordo com a Agência Internacional de Energia Atômica (IAEA), cerca de 75% da velocidade normal da luz é reduzida ao atravessar a água. Isso permite que partículas emitidas por materiais radioativos “ultrapassem” a luz dentro desse meio específico.

Por que o brilho é azul?

Césio-137Reprodução

Ao atravessarem a água, essas partículas desestabilizam a energia dos átomos ao redor. Para voltar ao equilíbrio, esses átomos liberam fótons, que são partículas de luz.

Esse processo cria uma espécie de “onda de choque” luminosa, semelhante ao estrondo sônico, só que em vez de som, o efeito acontece com a luz.

Segundo a IAEA, as cores que enxergamos correspondem a diferentes tipos de ondas formadas por fótons. No caso da radiação de Cherenkov, a alta energia faz com que essas ondas tenham a frequência elevada e o comprimento mais curto, o que resulta nas cores azul e violeta.

Quanto maior a frequência e menor o comprimento de onda, mais a luz tende a ser percebida em tons de azul ou violeta pelo olho humano. Já a luz ultravioleta não é visível, mas pode ser detectada por equipamentos específicos.

Um brilho que pode ser fatal

O Césio-137 é um elemento radioativo e ganhou notoriedade com o acidente de Goiânia em 1987Reprodução

Apesar de chamativo, o Césio-137 nem sempre apresenta esse brilho de forma visível. O fenômeno depende das condições do ambiente, sendo mais comum quando há água ou partículas no ar que interagem com a radiação.

No Brasil, o brilho azul do elemento ganhou notoriedade devido ao acidente de Goiânia em 1987, considerado o maior desastre radiológico do país. Na época, o material estava na forma de cloreto de Césio, um pó semelhante ao sal de cozinha, o que facilitou o contato e a contaminação.

Estudos indicam que a interação da radiação com o ambiente, inclusive com a umidade do ar, pode ter contribuído para o brilho observado na época.

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