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Laudo acha bactérias em pizza após surto com 114 casos e 1 morte

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Laudo aponta bactérias em pizza após surto com 114 casos e uma mortePaulo Pinto/Agência Brasil

Um laudo confirmou a contaminação por bactérias em amostras de alimentos coletados na pizzaria investigada pelo surto de intoxicação alimentar que causou a morte de uma mulher e o atendimento hospitalar de cerca de 114 pessoas na cidade de Pombal, na Paraíba, entre os dias 15 e 16 de março.

A mulher, Raissa Martein Bezerra e Silva, de 44 anos, morreu no dia 17, após ser internada na UTI do Hospital Regional de Pombal.

Das sete amostras de alimentos analisadas, seis apresentaram bactérias como Staphylococcus aureus e Escherichia coli, que indicam possível risco à saúde, mas não foi encontrada a bactéria Salmonella.

Já nas 11 amostras coletadas dos pacientes, não foram identificadas bactérias perigosas como Salmonella ou Shigella. Segundo o laudo, foram encontradas apenas bactérias comuns do próprio organismo, sem sinais claros de infecção causada por esses agentes.

Os exames foram feitos pelo Laboratório Central de Saúde Pública da Paraíba (Lacen-PB) e divulgados neste sábado (28) pela Secretaria de Estado da Saúde da Paraíba (SES-PB).

A coleta foi feita por equipes da Vigilância Sanitária e da Agência Estadual de Vigilância Sanitária (Agevisa-PB), que inspecionaram a pizzaria apontada como possível origem do problema. Durante a vistoria, foram recolhidos alimentos e materiais usados na cozinha, além de serem identificadas irregularidades nas condições de higiene do local.

A investigação continua com a Polícia Civil, e o Instituto de Polícia Científica, também foi informado sobre os resultados, assim como as Vigilâncias Epidemiológica e Sanitárias.

  • ENTENDA O CASO: Mulher morre e 114 passam mal após comer pizza

Pizzaria questiona validade das amostras

A defesa do dono da pizzaria contestou o resultado dos exames. Segundo a advogada, Raquel Dantas, a empresa só soube de uma amostra analisada, sendo um pedaço de pizza recolhido pela Vigilância Sanitária. “Tomamos conhecimento por acaso. Eu estava ali no local quando esse laudo foi entregue na delegacia e nós, como defesa, tivemos conhecimento, mas oficialmente não fomos informados”, afirmou a defesa.

O proprietário apontou possíveis problemas na coleta. Segundo ele, a pizza foi feita na noite do dia 15, mas só foi recolhida no dia seguinte, por volta das 16h. Ele diz que o laudo não explica quanto tempo o alimento ficou fora de refrigeração nem em que condições foi armazenado. O dono do estabelecimento afirma ainda que o próprio documento indica que a amostra estava em temperatura ambiente no momento da coleta.

Não temos a documentação de quem manuseou esse pedaço de pizza, a forma como foi manuseada, a forma como foi armazenada, a forma como foi transportada; não temos o devido lacre nem as exigências que a lei determina para que essa prova não seja comprometida”, afirmou a advogada.

O dono da pizzaria afirmou que segue cuidados de higiene, como uso de toucas e luvas, e destacou que as pizzas são assadas a 320°C. Segundo ele, essa temperatura elimina bactérias comuns.

Como eu sempre falo, estou sempre à disposição para dar esclarecimentos. Não tenho medo de expor minha imagem, porque quem tem a verdade no coração não precisa temer nada”, afirmou o empresário.

Entenda o caso

O surto começou no domingo (15), quando 36 pessoas procuraram atendimento no Hospital Regional de Pombal. No dia seguinte, mais 38 pacientes deram entrada na unidade.

A mulher que morreu foi internada na segunda-feira (16) em estado grave, com sintomas como diarreia, vômitos intensos e dor abdominal. Ela foi levada para a UTI, mas morreu na manhã da terça-feira (17).

Ainda na terça-feira, outros 40 casos foram registrados. Na quarta-feira (18), mais seis pessoas chegaram a buscar atendimento.

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