Pesquisadores da Embrapa Pecuária Sul, em Bagé (RS), estão avaliando o temperamento de bovinos da raça Brangus como parte de um projeto de melhoramento genético. A iniciativa busca identificar animais mais dóceis e adaptados aos sistemas de produção do Sul do Brasil, favorecendo o bem-estar e a eficiência produtiva.
O método avalia a chamada velocidade de fuga, indicador que mede o nível de reatividade do animal durante o manejo. O sistema utiliza um trajeto curto de 2,7 metros, equipado com sensores que registram o tempo em que o bovino percorre o trecho. A partir desses dados, os pesquisadores calculam a velocidade e o tempo de fuga, que revelam se o animal tem comportamento mais calmo ou mais agitado.
Segundo o médico-veterinário Álvaro Fonseca, da Embrapa Pecuária Sul, animais mais tranquilos percorrem o trajeto com menor velocidade, demonstrando docilidade. “Esses resultados permitem classificar o temperamento dos bovinos e selecionar os mais adequados para o programa de melhoramento genético”, explica o pesquisador. Cada animal passa por duas medições, e a média define o índice de temperamento usado para seleção.
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A docilidade é considerada uma característica estratégica para a pecuária moderna. Bovinos mais calmos facilitam o manejo, reduzem riscos de acidentes e contribuem para a produtividade e o bem-estar animal. Além disso, o temperamento pode influenciar diretamente o desempenho e a eficiência dos sistemas de produção de carne.
O estudo integra o projeto de melhoramento genético da raça Brangus da Embrapa, que combina informações comportamentais e genômicas para aprimorar características produtivas. As avaliações, realizadas em março, envolveram machos e fêmeas entre um e dois anos de idade nos campos experimentais da unidade em Bagé.
Origem da raça Brangus
A raça Brangus surgiu nos Estados Unidos, no início do século XX, a partir do cruzamento entre Aberdeen Angus e Brahman. No Brasil, os trabalhos começaram em 1945, na Fazenda Experimental Cinco Cruzes, em Bagé, hoje sede da Embrapa Pecuária Sul.
Os primeiros animais com composição genética 3/8 Nelore e 5/8 Angus nasceram em 1955. Batizada inicialmente de Ibagé, a raça consolidou-se mais tarde como Brangus, visando adaptar-se às pastagens naturais do Rio Grande do Sul e às condições das regiões tropicais.
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