O presidente da CPMI do INSS, senador Carlos Viana (Podemos), defendeu o afastamento do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, durante as investigações de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master.
“Em qualquer país sério do mundo, Moraes estaria afastado do cargo até que a investigação termine. Ele deveria estar fora do cargo para que a investigação seja a mais isenta possível”, disse ele em entrevista ao Roda Viva.
Carlos Viana é o senador que preside a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, que investiga o escândalo de desvio de recursos de benefícios de aposentados e pensionistas. Segundo ele, as mensagens do bancário a um interlocutor foi direcionada a um aparelho funcional do STF.
Desafios da CMPI do INSS
De acordo com ele, atualmente a comissão enfrenta diversos desafios, principalmente com os desdobramentos do caso e descobertas de uma pirâmide ainda maior de esquema de desvio de dinheiro. O senado defendeu a prorrogação das investigações, junto com apoio dos poderes brasileiros.
“Pela primeira vez na histórias estamos com uma CPMI que está cumprindo o papel dela. Fomos os primeiros a pedir a prisão de 21 pessoas, 12 estão presas, temos 3 bilhões de reais apreendidos. Temos uma investigação que levou o povo brasileiro, principalmente aos aposentados, todas as informações com transparência. O problema é que à medida que nós ouvimos os envolvidos, os laranjas e as empresas, nós também verificamos que não seria possível um escândalo desse tamanho sem apoio político e de pessoas ligadas a setores da república. Quando nos aproximamos dessa parte dos poderosos, começamos a enfrentar mais reverses”, explicou o parlamentar.
“Nós começamos a enfrentar problemas quando começamos a identificar entes políticos, como deputados, senadores que participaram de alguma maneira desse esquema. Nós estamos vivenciando uma série de blindagens nos requerimentos que queremos avançar”, continuou ele.
Blindagem do STF
O senador também comentou sobre a sequência de blindagens do Supremo Tribunal Federal (STF) às convocações e investigações a suspeitos e investigados ligados ao esquema, como a de Flávio Dino que suspendeu a quebra de sigilo de Lulinha, que ele a considerou desrespeitosa.
“Há ministros que dão habeas corpus obrigando as pessoas a comparecerem ao depoimento, como o ministro Fux, Cármen Lúcia. Dentro do próprio Supremo, não há uma definição clara do relacionamento com a CPMIs. Essa decisão específica de Dino, é uma decisão política, descabida e de completo desrespeito a toda uma série de trabalho que está sendo feito pelo parlamento. Uma das investigadas que está ligada ao filho do presidente Lula deu um recado que ela não cairia sozinha e aí veio essa decisão que nos estranha, no mínimo”,, disse ele.
Viana ainda apontou sobre como o Banco Master atuava no esquema de desvio do INSS:
“Se há um esquema montado para desviar o benefício dos aposentados, onde que isso casa com o banco Master? Alguns personagens investigados no INSS que receberam muito dinheiro, usaram parte da estrutura do Master para sumir com esse dinheiro. No início nós entendemos que eram só os consignados, mas à medida que as investigações foram avançando, entendemos que o mesmo esquema que o banco usou para desviar dinheiro público dos fundos de pensão também foi usado para se lavar parte do dinheiro roubado dos aposentados brasileiros”
O senador rebateu o questionamento de um dos jornalistas sobre a falta de ações investigativas de parlamentares, envolvidos no esquema de desvio do INSS, como o senador Weverton Rocha (PDT-MA) e o deputado Euclydes Pettersen (Republicanos-MG),
“Há uma discussão dentro do próprio parlamento de que parlamentares só podem ser investigados pelo próprio Supremo Tribunal Federal. Eles podem ser convidados a comparecer à CPMI. se nós temos uma comissão que dá total independência para investigar então nós também deveríamos ter a capacidade de investigar, não somente deputados e senadores, mas também os próprios ministros do supremo”, continuou ele.









