A pouco menos de sete meses das eleições, o assessor do governo de Donald Trump, Darren Beattie, um dos expoentes da extrema direita dos Estados Unidos e crítico feroz das instituições brasileiras, desembarca no Brasil na semana que vem, a pretexto de participar de um Fórum econômico em São Paulo.
Mas, além da proximidade das eleições, o que também chamou a atenção foi uma outra agenda que não constava do roteiro oficial do estadunidense: uma visita dele a Jair Bolsonaro, na Papudinha, em Brasília, onde o ex-presidente cumpre pena de 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe Estado.
Advogados de Bolsonaro se mobilizaram intensamente nos últimos dias para obter a autorização do STF para tal encontro.
Mas, desconfiado dessa movimentação, o ministro Alexandre de Moraes, pediu ao Itamaraty detalhes da agenda de Beatties.
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, ao responder Moraes, não fez curva para dar a sua visão sobre esse pretendido encontro:
“A visita de um funcionário de Estado estrangeiro a um ex-presidente da República em ano eleitoral pode configurar indevida ingerência nos assuntos internos do Estado brasileiro”, afirmou Vieira, no ofício dirigido a Moraes.
Vieira afirmou também que a embaixada dos Estados Unidos no Brasil informou ao governo brasileiro que Darren Beattie vem ao Brasil para participar do Fórum Brasil-EUA de Minerais Críticos, que será realizado em São Paulo, na próxima quarta-feira (18).
De acordo com ele, a representação norte-americana não mencionou eventuais visitas fora da agenda oficial.
Vieira afirmou ainda que “o pedido de visita ao ex‑presidente não se enquadra nos objetivos oficialmente comunicados pelo Departamento de Estado”.
Diante disso, Moraes achou melhor dizer não à pretensão de Bolsonaro.
Com isso, por ora, conseguiu afastar um fantasma e, muito provavelmente, alguns problemas.
Evitou um encontro que estava mais para conspiração do que para qualquer outra coisa.
Afinal, a julgar pelo currículo de ambos – Bolsonaro, um golpista condenado, e Beattie, um racista assumido, crítico feroz do governo Lula e do STF – e pelo cenário atual de ameaças do governo Trump contra as instituições brasileiras, o que mais os dois poderiam conversar na Papudinha, além de tramar contra o Estado brasileiro?










