A decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos de suspender a aplicação de tarifas recíprocas globais impostas pelo governo de Donald Trump pode contribuir para a retomada da normalidade nas relações entre Brasil e EUA. A avaliação foi feita neste sábado (21) pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, durante agenda oficial na Índia com a comitiva do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Segundo Haddad, o governo brasileiro seguirá apostando no diálogo institucional e diplomático, independentemente da reação do Executivo americano à decisão judicial.
“Estamos construindo uma ponte robusta para restabelecer a normalidade das nossas relações. São 200 anos de amizade que não podem ser comprometidos por razões ideológicas”, afirmou o ministro em conversa com jornalistas.
Haddad participou da abertura do encontro empresarial Brasil-Índia, em Nova Délhi, que reuniu mais de 800 empresários dos dois países. Lula encerra neste sábado a visita de Estado ao país asiático, com reunião prevista com o primeiro-ministro Narendra Modi. No domingo, o presidente brasileiro segue para Seul, na Coreia do Sul.
O ministro ponderou que ainda é necessário avaliar o alcance da decisão da Suprema Corte americana, mas reforçou que o Brasil manterá a estratégia jurídica e diplomática adotada desde o início da disputa comercial.
Após o revés judicial, Trump anunciou a aplicação de uma nova tarifa global de 10% sobre produtos importados. Para Haddad, a medida não prejudica especificamente o Brasil, já que atinge todos os países.
“Nossa competitividade não é afetada. Sempre dissemos que isso prejudicaria o consumidor americano, que consome produtos brasileiros diariamente”, declarou.
Nos últimos meses, os Estados Unidos revisaram tarifas sobre alguns itens de consumo, como alimentos, em meio a negociações bilaterais.
Haddad afirmou que a política externa brasileira busca parcerias equilibradas com diferentes blocos econômicos, incluindo Ásia, Europa e Estados Unidos.
“O Brasil é grande demais para ser quintal de quem quer que seja. Queremos parcerias maduras, com vantagens mútuas”, disse.
O ministro também citou o avanço do acordo comercial com a União Europeia como parte da estratégia de inserção do Brasil em um cenário de multilateralismo e cooperação internacional.
A expectativa é que Lula viaje aos Estados Unidos em março para um encontro com Trump, em meio às discussões comerciais.












