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Cão Orelha: MP aponta inconsistências e pode pedir exumação

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Cachorro Orelha sofreu eutanásiaCrédito: Divulgação

O caso do Cão Orelha, que teve a investigação concluída na última terça-feira (3), pela Polícia Civil de Santa Catarina, ganhou novos desdobramentos após o Ministério Público do estado apontar algumas inconsistências. 

De acordo com reportagem exibida pelo Fantástico, há elementos na investigação que precisam ser resolvidos para esclarecer o caso. De acordo com o promotor de Justiça MP/SC, Sandro Souza, o pedido de exumação do animal não é descartado.

“Foram observadas algumas lacunas que precisam ser supridas. Pode se apresentar necessária, inclusive, a exumação do corpo do cão orelha. E a partir daí podemos ter uma conclusão mais satisfatória do ocorrido”, explicou ele. 

O MP não tem prazo para se manifestar sobre o relatório que recebeu da polícia civil, mas já afirmou que vai pedir diligências complementares para aprofundar o caso.

Na investigação, a polícia atribuiu os maus-tratos a um adolescente, que teve pedido de internação. Além disso, no caso Orelha, foram indiciados três adultos por coação a testemunha.

Os nomes dos suspeitos não foram divulgados, já que o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) garante que todos os processos que envolvem menores de 18 anos sejam mantidos em sigilo total.

O que levou a polícia a apontar o adolescente?

De acordo com investigação da Polícia Civil, o cão Orelha teria sido agredido entre às 5h25 e 5h58, após um cruzamento de dados que apontaram quando o adolecente também estaria na Praia Brava. Não há imagens que mostram que o cão estava na praia.

A Polícia Civil analisou mais de 1 mil horas de filmagens na região, em 14 equipamentos que captaram imagens e ouviu ao menos 24 testemunhas. Os procedimentos policiais do caso foram encaminhados para apreciação do Ministério Público e Judiciário.

Em depoimento à polícia, testemunhas afirmaram que o adolescente apontado como responsável pelas agressões permanecia sozinho em determinados períodos e retornava. Ainda segundo a PCSC, a investigação não se fundamenta em registros isolados, mas na análise do conjunto probatório reunido ao longo do inquérito policial. 

Na última imagem que mostra o animal voltando para o local onde mora, a Polícia acredita que o animal já estava ferido. O que é contestado pela defesa.

“O animal é visto caminhando às 7h da manhã normalmente. Se ele foi ferido, foi depois do período [em que a polícia disse que aconteceu as agressões]”, disse o advogado Alexandre Kale

A polícia afirmou ao Fantástico que não houve a elaboração de um laudo pericial específico para determinar com base nas imagens o momento das agressões. Mas o depoimento do veterinário que atendeu Orelha foi essencial para apontar que o cão teria sido atingido por um instrumento contundente.

A investigação não pediu a perícia do corpo de Orelha. Em entrevista, a polícia afirmou que não houve necessidade em termo de interesse investigativo, mas que não se descarta a possibilidade de exumação do corpo do cão porque depende da análise de outros órgãos, como o MP e o Judiciário.

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