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Caos aéreo: cancelamentos deixam passageiros retidos em Congonhas

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Passageiros realocados por companhias aéreas aguardam em longas filas Rodrigo T. Ribeiro

O fim da noite deste domingo (1º) foi marcado por caos, tensão e longas horas de espera no aeroporto de Congonhas, em São Paulo. Passageiros com destino ao Rio de Janeiro tiveram seus voos cancelados devido às fortes chuvas que atingiram a capital fluminense, impedindo pousos e decolagens e afetando diretamente a ponte aérea. Gol, LATAM e Azul concentraram a maior parte dos transtornos.

O iG acompanhou de perto a situação no aeroporto e também o deslocamento de passageiros da LATAM realocados para uma unidade hoteleira próxima. Apesar da promessa de hospedagem, até o fim da noite a maioria ainda aguardava do lado de fora do hotel, em filas extensas, à espera da liberação para o check-in.

Entre os passageiros estava a engenheira Roberta Dantas Pereira, do Rio de Janeiro, que retornava de férias com a família quando teve o voo cancelado.

“Falaram que não tinha mais nenhum voo para o Santos Dumont hoje, de nenhuma companhia, e que a gente era obrigado a ficar aqui e pegar um voo amanhã. O mais cedo é às 5h45. Infelizmente eu tive que aceitar, porque trabalho amanhã”, relatou.

Casal Roberta Dantas Pereira e Rodrigo MacielRodrigo T. Ribeiro

Segundo ela, a companhia ofereceu apenas hotel e transporte. “Disseram que o motivo foi a muita chuva no Rio de Janeiro”.

O engenheiro Rodrigo Maciel, também do Rio, descreveu o impacto profissional do cancelamento.

“Amanhã seria meu retorno de férias e já tenho demanda para entregar. Agora é explicar no trabalho o transtorno que a gente está enfrentando”, afirmou.

Ele confirmou que foi oferecido hotel, transporte e um novo voo na madrugada. “Infelizmente, é o que tem. Não existe outra alternativa”.

Já a analista financeira Monize Montenegro relatou uma sequência de mudanças e cancelamentos ao longo do dia, que resultaram na perda de um dia inteiro de trabalho.

“Meu voo era às 17h05, depois mudaram várias vezes até ser cancelado. O dia de trabalho a gente já vai perder”, contou. Ela afirmou ainda que não recebeu alimentação durante todo o período de espera. “Deram apenas uma carta de contingência, como se isso resolvesse”.

A analista financeira Moniz Montenegro enfrentou uma sequência de mudanças Rodrigo T. Ribeiro

Em meio ao tumulto, o agente de viagens Graco Silva, CEO da Gracco Viagens, orientava passageiros sobre seus direitos e destacou a importância do acompanhamento profissional em situações de crise aérea.

“A agência de viagem acompanha o cliente o tempo todo, orienta sobre hospedagem, alimentação e reacomodação, e garante que a companhia aérea cumpra o que é devido”, explicou. Segundo ele, o suporte contínuo traz segurança em momentos de incerteza.

Chuva forte, ventos acima de 80 km/h e cidade em Estágio 2

Os cancelamentos registrados em Congonhas refletem a gravidade do cenário enfrentado no Rio de Janeiro. De acordo com o Centro de Operações e Resiliência da Prefeitura do Rio (COR-Rio), a cidade entrou em Estágio 2 na noite deste domingo, o segundo nível em uma escala que vai até cinco, após ser atingida por uma forte linha de instabilidade.

Os maiores volumes de chuva foram registrados na Zona Sul, com 47,6 mm em Copacabana, além de acumulados expressivos no Vidigal e na Rocinha. A tempestade provocou bolsões d’água em diversos pontos da cidade, incluindo vias expressas como a Avenida Brasil, Linha Amarela e Estrada do Galeão, além de quedas de árvores em áreas da Zona Norte e Zona Oeste.

Passageiros com destino ao Rio de Janeiro enfrentaram cancelamentos em sérieRodrigo T. Ribeiro

Os ventos chegaram a ultrapassar 80 km/h, com registro de rajadas muito fortes na estação da Marambaia, segundo dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). Apesar da previsão de redução da intensidade ao longo da noite, ainda havia expectativa de chuva fraca a moderada até o fim do domingo.

O cenário reforça que os transtornos no transporte aéreo não foram provocados por um evento corriqueiro, mas por condições meteorológicas severas que impactaram diretamente a operação dos aeroportos do Rio e geraram reflexos imediatos em todo o sistema aéreo, especialmente na ponte Rio–São Paulo.

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