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Estudo polêmico diz que pirâmide pode ter 20 mil anos

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Pirâmides de GizéRicardo Liberato – Wiki

Um estudo recente e controverso levantou a hipótese de que a Grande Pirâmide de Gizé pode ser muito mais antiga do que a datação tradicional aceita pela arqueologia. A proposta chama atenção, mas especialistas alertam que há muitos motivos para encarar a ideia com ceticismo. As informações são da Times of India.

A noção de tempo envolvida na construção das pirâmides já é difícil de assimilar. Um exemplo frequentemente citado é que Cleópatra, nascida em 69 a.C., viveu mais próxima da era dos smartphones do que do período em que a Grande Pirâmide foi erguida, por volta de 2.600 a.C. Ou seja: mesmo dentro da cronologia oficial, esses monumentos já pertencem a um passado extremamente remoto.

Ainda assim, há quem considere que isso não é antigo o bastante. Teorias alternativas há décadas defendem que as pirâmides teriam sido construídas por uma civilização tecnologicamente avançada e muito anterior aos egípcios conhecidos, ou até por seres extraterrestres. É nesse terreno que o novo estudo acaba ganhando espaço.

Cachorro é flagrado no topo da Pirâmide de Gizé, no Egito, por homem que voava de parapenteReprodução

A pesquisa, que não passou por revisão de outros cientistas, é assinada por um engenheiro da Universidade de Bolonha, na Itália. Ele afirma ter encontrado indícios de que a Grande Pirâmide seja mais antiga do que se imagina ao analisar padrões de erosão nas pedras provocados pela ação do clima ao longo do tempo.

Hoje, a estrutura visível da pirâmide não é exatamente como ela era quando foi construída. Originalmente, os enormes blocos de pedra eram cobertos por placas de calcário polido, conhecidas como pedras de revestimento, que davam ao monumento uma aparência lisa e brilhante. Com o passar dos séculos, grande parte desse revestimento foi retirada e reutilizada em outras construções, deixando os blocos internos expostos.

Algumas dessas pedras de revestimento ainda permanecem na base da pirâmide, preservadas em parte pela areia que dificultou sua remoção. Foi justamente comparando o desgaste dessas áreas antes protegidas com o de partes que ficaram expostas por muito mais tempo que o pesquisador desenvolveu sua hipótese.

Segundo ele, o volume de material desgastado deveria ser proporcional ao tempo de exposição aos processos erosivos. A partir da diferença entre os dois tipos de superfície, seria possível estimar uma data plausível para a construção da estrutura.

Usando um modelo estatístico, o estudo concluiu que haveria 68,2% de probabilidade de a Grande Pirâmide ter sido construída entre 8.954 a.C. e 36.878 a.C., com uma média em torno de 22.916 a.C. Na interpretação do autor, isso indicaria que o faraó Quéops, tradicionalmente apontado como o responsável pela obra, poderia ter apenas restaurado um monumento muito mais antigo e atribuído a si sua autoria.

O próprio pesquisador sugere que, se a estimativa estiver correta, já existiria no Egito uma civilização capaz de erguer estruturas monumentais cerca de 20 mil anos antes de Cristo.

A hipótese é instigante, mas o próprio autor reconhece limitações importantes. Ele ressalta que o método não pretende fornecer uma data exata, apenas uma estimativa aproximada. Além disso, há vários fatores que podem comprometer a análise.

Um dos principais problemas é a suposição de que o desgaste das pedras ocorreu de forma constante ao longo dos milênios. O clima do Egito, porém, já foi bem diferente do atual. Em períodos antigos, a região era mais úmida, o que poderia acelerar a erosão. Em outros momentos, partes da estrutura ficaram cobertas por areia, o que reduz a ação direta do vento e da chuva. Mais recentemente, o intenso fluxo de turistas também contribui para a deterioração das superfícies.

Outro ponto crucial é que os resultados destoam fortemente de métodos de datação consolidados. A idade das pirâmides não foi definida com base em um único indício, mas em décadas de escavações e estudos comparativos.

Arqueólogos analisam, por exemplo, a evolução da arquitetura egípcia e dos objetos encontrados nos arredores dos monumentos. Cerâmicas descobertas em Gizé seguem o mesmo padrão de peças produzidas na época dos faraós Quéops, Quéfren e Miquerinos, governantes da chamada Quarta Dinastia do Antigo Império. Especialistas conseguem identificar períodos históricos inteiros apenas observando mudanças no estilo e na técnica desses artefatos.

Além disso, técnicas modernas de datação por radiocarbono reforçaram as estimativas tradicionais. Materiais orgânicos encontrados em contextos arqueológicos bem datados no Egito — como sementes e restos vegetais — foram analisados e apresentaram resultados compatíveis com o período em torno de 2.600 a.C. para a construção da Grande Pirâmide.

Esses métodos são considerados mais confiáveis porque se baseiam em múltiplas evidências independentes e sofrem menos influência de fatores externos variáveis, como as mudanças climáticas que afetam a erosão das rochas.

Por isso, embora a nova proposta desperte curiosidade e alimente o imaginário popular, a comunidade científica tende a tratá-la com cautela. Sem revisão por pares e sem a confirmação por outras pesquisas, a hipótese não tem peso suficiente para substituir a cronologia construída ao longo de décadas de estudos arqueológicos.

Até que evidências mais robustas surjam, a Grande Pirâmide de Gizé continua sendo reconhecida como uma obra impressionante da engenharia do Egito Antigo, erguida há cerca de 4.600 anos, um feito que, por si só, já é extraordinário.

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