Enquanto produtores focam em cortes nobres como picanha e filé-mignon para o mercado internacional, frigoríficos de Mato Grosso descobriram uma fonte inesperada de lucro: o vergalho bovino. O pênis do animal, antes descartado ou vendido a preços irrisórios, agora alcança US$ 6 mil por tonelada no mercado asiático, especialmente na China e em Hong Kong.
A transformação do pênis bovino em produto de alto valor econômico reflete uma revolução no aproveitamento animal. Os frigoríficos mato-grossenses adotaram estratégias de aproveitamento integral da carcaça, eliminando desperdícios e maximizando lucros.
“O mercado asiático valoriza partes do animal que o consumidor ocidental tradicionalmente rejeita”, explica um relatório da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC). A entidade registrou crescimento de 340% nas exportações de miúdos bovinos para a Ásia nos últimos três anos.
- Anvisa suspende lote de sal grosso da Globo
- Empresa brasileira revela nova identidade visual na Gulfood 2026
O abismo de preços justifica o foco das indústrias frigoríficas no mercado externo:
- Mercado Interno (Brasil): valor do quilo: R$ 21,00
- Mercado Externo (Hong Kong): valor da tonelada: até US$ 6.000 (aproximadamente R$ 30.000)
Diferença percentual: mais de 1.400% de valorização
Alan Gutierrez, gerente de marketing da SulBeef, um dos frigoríficos mato-grossenses autorizados a exportar o subproduto, confirma que as vendas movimentam entre quatro e cinco toneladas mensais, totalizando aproximadamente 60 toneladas anuais apenas dessa empresa.
O produto segue rigorosos protocolos sanitários e chega in natura ao mercado asiático, onde os consumidores valorizam preparações cozidas, ensopados e pratos típicos que utilizam o vergalho pela sua textura cartilaginosa e capacidade de absorver temperos e caldos.
Por que a China paga tanto?
A valorização do pênis bovino no mercado asiático tem raízes culturais profundas. Diferentemente do Ocidente, onde miúdos frequentemente são descartados, a culinária chinesa tradicionalmente aproveita todas as partes do animal.
Principais usos culinários na Ásia:
- Ensopados de longa cocção que amaciam a textura cartilaginosa
- Sopas medicinais tradicionais
- Pratos que valorizam a capacidade do produto de absorver sabores complexos
- Preparações que associam o consumo a propriedades nutricionais
Competitividade e diversificação da pecuária mato-grossense
Bruno de Jesus Andrade, diretor de Projetos do Instituto Mato-grossense da Carne (Imac), destaca que Mato Grosso possui uma pecuária robusta, eficiente e cada vez mais alinhada às exigências internacionais.
A estratégia de diversificação de produtos vai além dos cortes tradicionais. Segundo Andrade, quando os frigoríficos ampliam o portfólio e atendem mercados com diferentes perfis de consumo, fortalecem a economia, reduzem riscos e aumentam a competitividade da carne produzida no estado no cenário global.
- Mel seguro e de qualidade: nova cartilha ensina boas práticas aos apicultores
- Prêmio oferece R$ 38 milhões por soluções inovadoras
O momento é estratégico para essa diversificação. A China impôs, a partir de janeiro de 2026, medidas de salvaguarda que estabeleceram uma cota de 2,7 milhões de toneladas para importação de carne bovina, com o Brasil recebendo 1,1 milhão de toneladas dessa cota.
As importações que excederem a cota enfrentarão tarifa de 55%, o que torna ainda mais valiosa a estratégia de maximizar lucros através do aproveitamento integral da carcaça, incluindo subprodutos de alto valor como o vergalho.
A comercialização do pênis bovino representa uma tendência crescente no setor: o aproveitamento total do animal abatido. O que antes era considerado descarte agora contribui significativamente para a rentabilidade dos frigoríficos.
The post Pênis bovino vira “ouro branco” da pecuária de MT appeared first on Agro em Campo.














