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Gravação aponta conspiração para derrubar Casares do São Paulo

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Julio Casares, ex-presidente do São PauloReprodução/X

O caso do camarote clandestino do Morumbis ganhou mais um capítulo nesta semana. Um novo áudio, divulgado pelo SBT Brasil, revelou detalhes da negociação entre Fábio Mariz, conselheiro do São Paulo, e Rita de Cássia Adriana Prado, pivô do escândalo, que levou a queda de Júlio Casares da presidência do clube.

Na gravação, Mariz explica para Adriana e o marido como o conteúdo obtido por ela, que mostrou o susposto esquema de venda ilegal de ingressos de camarote, poderia desencadear em investigações contra o ex-mandatário do Tricolor. O conselheiro cita, inclusive, uma plano para justificar o vazamento do áudio. Além disso, diz que o material seria encaminhado para uma delegacia de confiança. 

Novo áudio mostra detalhes da negociação entre um conselheiro do clube e a mulher suspeita ser o pivô do caso conhecido como escândalo do camarote. pic.twitter.com/Pu50t9D0fh

— iG (@iG) January 28, 2026

“Qual o objetivo jurídico? Com essa prova, ele vai pegar esses três focos principais, e vai pedir um negócio que se chama COAF. O COAF é um análise de inteligência financeira, que vai falar o que movimentou, onde movimentou, para quem movimentou, como funciona a parte financeira. A partir daí, o mundo da polícia vai ser um paraíso. Porque ele vai ter um leque de coisas para começar a puxar o fio. O que a gente achar interessante, vai para a imprensa. Eles vão ter acesso a tudo, tudo que a gente decidir entregar”, revelou Mariz em um dos trechos. 

Após a compra, o áudio foi vazado para a imprensa e revelado em uma reportagem do Ge em dezembro do ano passado. A publicação mostrou uma conversa gravada em que Mara Casares, esposa do ex-presidente, Júlio Casares, e o ex-diretor das categorias de base do clube, Douglas Schwartzmann, tentam dissuadir Rita de Cassia Adriana Prado a não expor os envolvidos em um processo judicial que movia contra Carolina Cassemiro. Carolina teria ajudado Adriana a vender os ingressos ilegais para o show da cantora Shakira no Morumbis. Durante o esquema, elas teria se desentendido. Mara e Schwartzmann também teriam se beneficiado no esquema. Ambos pediram licença de seus cargos no clube. 

Ex de Casares e diretor pedem licença do São Paulo após polêmicaReprodução/ X

Áudio comprado 

Há menos de duas semanas, na véspera da sessão do impeachment de Casares, Rita de Cássia Adriana Prado revelou ao jornalista Jorge Nicola, do Portal R7, que o áudio que mostrou o susposto esquema clandestino dentro do estádio foi vendido para conselheiros do clube. 

De acordo com a publicação, a compra foi feita por Fábio Mariz e Vinicius Pinotti. Além deles, as negociação para obtenção do áudio teria sido feita por um ex-conselheiro do clube, Denis Ormrod. 

Na ocasião, o blog do jornalista divulgou um áudio de cerca de 11 minutos em que Denis negocia a compra do material com Adriana e o marido dela. Na conversa, os envolvidos cogitam forjar o furto do celular que teria o conteúdo armazenado.

Segundo o jornalista, os valores teriam girado em torno de R$ 200 mil. Os conselheiros envolvidos foram procurados pela reportagem e admitiram o acordo.  “O dinheiro é meu e eu faço o que eu quero com ele. Mesmo fora do São Paulo há cinco anos, venho lutando intensamente contra essas barbáries que vocês estão vendo hoje. A verdade é que fui procurado pela Adriana e ela me mostrou todas as provas que tinha. Aí, colocou um preço”, justificou Denis. 

Vinicius Pinotti, ex-diretor de futebol do São Paulo e ex-membro da gestão Casares, também respondeu ao jornalista.  “Fui que quem recebi em primeira mão esse áudio e vazei mesmo. Uma doente. Bandida de merda”, comentou. 

Casares

O Ministério Público de São Paulo (MPSP) e a Polícia Civil criaram uma força-tarefa para investigar o caso de venda clandestina de ingressos e outros supostos desvios de recursos do clube durante a gestão Casares. 

Sobre o caso do camarote, o MPSP informou que apura possíveis crimes de corrupção privada no esporte e coação no curso do processo. 

Em outra investigação, o Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) identificou depósitos na conta de Casares que totalizaram o valor de R$ 1,5 milhão entre 2023 e 2025. Além disso, também foram descobertos 35 saques nas contas do clube, totalizando R$ 11 milhões. Por meio de uma nota divulgada nas redes sociais, o presidente do São Paulo negou a acusação. No início do mês de janeiro, a defesa de Casares informou que “todas as movimentações financeiras de Júlio, contidas nos relatórios do COAF possuem origem lícita e legítima, com lastro compatível com a evolução de sua capacidade financeira. Esclareça-se que antes de assumir a presidência do São Paulo Futebol Clube, nosso constituído desempenhou e exerceu funções de alta direção na iniciativa privada, com boa remuneração. Ademais, a origem e o lastro de tais movimentações serão detalhadas e esclarecidas no curso das investigações – com a apresentação de provas, declarações e informações fiscais – justamente para rebater qualquer ilação que se fizer e, ainda mais porque não tiveram acesso à integralidade do inquérito policial”.

Diante das denúncias, Casares renunciou ao cargo de presidente do São Paulo. 

 

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