Nos Estados Unidos, um movimento que evoca o histórico Partido dos Panteras Negras, grupo radical de autodefesa formado nos anos 1960, voltou a chamar atenção ao surgir em protestos recentes, carregando armas e dizendo proteger comunidades negras, periféricas e imigrantes contra o que consideram violência e racismo policial. Com informações de Desafío Toronto JC.
Grupos que invocam legado dos Panteras Negras surgem em protestos americanos, armados e denunciando abusos policiais, em um cenário de polarização e medo social pic.twitter.com/6EewSfUVxC
— iG (@iG) January 17, 2026
O grupo que se identifica como Black Panther Party for Self-Defense (Partido das Panteras Negras para Autodefesa) se apresentou em manifestações em Filadélfia, pouco depois de um tiroteio em Minneapolis que aumentou temores sobre a atuação de forças federais de imigração e policiamento sob o governo Trump.
Seus membros, alguns afirmando ter tido treino de antigos integrantes do movimento original, caminharam armados entre manifestantes, citando o direito ao porte de arma previsto na legislação americana como base legal para suas ações de patrulhamento comunitário.
O Partido dos Panteras Negras original, fundado em 1966, defendia a resistência armada em bairros de maioria negra como resposta à brutalidade policial, inclusive seguindo a lei aberta de porte de armas de algumas jurisdições e buscava policiar a polícia em um contexto de profunda desigualdade racial nos EUA.
Esse ressurgimento acontece em meio a um clima de forte polarização social e política no país, com debates acalorados sobre policiamento, imigração e direitos civis.
Críticos veem o uso explícito de armamento em protestos como um sinal dos riscos crescentes de confrontos entre cidadãos, forças de segurança e milícias de diferentes vertentes, inclusive de extrema direita, enquanto defensores afirmam que a autodefesa armada é necessária diante de abusos que, segundo eles, continuam a afetar desproporcionalmente negros e comunidades marginalizadas.
Especialistas observam que, embora os grupos atuais não tenham uma estrutura centralizada como o Partido dos Panteras Negras da década de 1960, há um claro reaparecimento de organizações que invocam esse legado para responder a uma percepção de injustiça sistêmica nas relações entre população negra, imigrantes e órgãos de segurança nos EUA.
A situação alimenta temores de escalada de tensões no país, onde críticos do presidente Trump apontam para políticas de endurecimento frente a protestos e imigração, e setores da sociedade se armam ou se organizam em grupos para autoproteção.
Analistas de segurança e movimentos civis acompanham de perto se esses episódios poderão contribuir para um cenário ainda mais fragmentado, com interpretações opostas sobre direitos, violência e ordem pública, em um período que muitos consideram crítico para a coesão interna americana.











