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Especialista alerta para lixo espacial no “IG Foi pro Espaço”

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Satélites desativados se acumulam e viram lixo em órbitaNasa

O podcast iG Foi Pro Espaço recebeu o chefe de divisão de pós-graduação do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), Antônio Fernando Bertaquin de Almeida Prado, para falar sobre os desafios da sustentabilidade no espaço, com foco no crescente problema do lixo espacial.

No programa, o especialista em astrodinâmica, área que estuda o movimento de veículos espaciais, detalhou como a quantidade de satélites e detritos em órbita representa um risco para as operações espaciais e até mesmo para a segurança na Terra.

Antônio Prado comentou que a preocupação maior atualmente não é o impacto ambiental do lançamento de foguetes na Terra, mas sim a poluição deixada na órbita do planeta. “Uma coisa que preocupa muito é a questão do lixo espacial“, afirmou.

Você tá colocando satélites demais nas órbitas e esses satélites, depois que deixam de [ter] vida útil, muitos ainda permanecem lá. Eles podem colidir com outros satélites e daí você transforma dois satélites em centenas de milhares de pequenos pedaços que vão destruindo, que podem destruir outros satélites“, complementou Prado.

A interferência nos céus

Outra consequência da saturação da órbita terrestre é a interferência na observação do cosmos. O pesquisador mencionou o impacto das constelações de satélites, como a Starlink. “Existe até uma foto famosa que circula na internet, ele mostra um fundo de estrelas antes e depois de um desses lançamentos da Starlink. Então, na primeira foto você consegue pegar aqui um conglomerado de estrelas… Segundo, você [vê] as estrelas e uma série de riscos passando no meio das estrelas. E esses riscos são as órbitas dos satélites“, exemplificou Antônio.

Questionado se os cubesats, satélites miniaturizados, seriam uma alternativa mais sustentável, o especialista vê com otimismo. “A ideia é efetiva, sim“, disse.

Antônio explicou que, além de mais baratos e rápidos de desenvolver, esses pequenos satélites têm uma vantagem no fim de sua vida útil. “Ao entrar na atmosfera eles queimam completo e aí não resta mais nada“, comentou.

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A responsabilidade das empresas

Sobre o papel das empresas privadas, como SpaceX e OneWeb, Antônio Prado afirmou que há avanços na responsabilidade ambiental. Segundo ele, mais de 80% dos satélites lançados hoje já têm planos de fim de vida, índice que há 20 anos era de cerca de 50%.

Entre as soluções estudadas, destacou as missões de limpeza ativa, que enviam satélites com braços mecânicos para recolher detritos. 

Para o especialista, a sustentabilidade espacial exige um acordo internacional. “Retirar o satélite após a missão é talvez a regra mais importante”, disse.

Por fim, Prado refletiu que a lição do espaço é sobre preservar o próprio planeta. “Se a gente não cuidar da Terra, não haverá plano B. A humanidade não tem, por enquanto, outro lugar para viver.”

A entrevista foi transmitida nesta quarta-feira (12), às 18h, no canal do YouTube do Portal iG.

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